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SALVADOR

Encantos de Ilha de Maré superam deficiências locais

George Brito, do A Tarde

Por George Brito, do A Tarde

28/11/2008 - 23:16 h | Atualizada em 29/11/2008 - 1:26

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Às 4h30 da matina, barcos chegam ao terminal de São Tomé de Paripe, com o lixo que é coletado na Ilha de Maré. A vida desta ilha, localizada no centro da Baía de Todos os Santos, está quase totalmente vinculada à capital baiana.

É que a Ilha de Maré pertence ao município de Salvador. É um pedaço de 13 quilômetros de extensão, onde a população, de cerca de cinco mil habitantes, precisa se deslocar via transporte marítimo à soterópolis para ter acesso a delegacia, escola de ensino médio ou a hospital. Só há pouco tempo, por exemplo, a ilha passou a contar com um posto de saúde, instalado há dois meses em Praia Grande.

Os funcionários são da capital, pois falta mão-de-obra qualificada na ilha, e todos os dias fazem duas viagens de barco, de 40 minutos, para trabalhar e depois retornar ao lar. O mesmo acontece com os jovens, que enfrentam o mar para ir até ao colégio, em Paripe.

A prefeitura fornece a passagem integral (R$ 2,30) o que tem facilitado o acesso à escola No passado, muitos jovens deixaram de estudar por não ter dinheiro para o transporte. A situação está melhor, mas os moradores querem mesmo é um colégio na própria ilha.

Em Ilha de Maré, também faltam praças esportivas, e o saneamento básico, precário, resulta em pequenos “córregos” de esgoto a céu aberto serpenteando pela areia da praia. Em alguns pedaços da ilha, moradores não contam com água encanada, a exemplo de Caquenge, povoado localizado entre Praia Grande e Santana.

Sem contar, é claro, com a falta de atracadouro por toda extensão da ilha. É comum ver nativos e turistas saltarem dos barcos com água acima das canelas, cuidando para que a bagagem ou a mercadoria não se molhe. “A gente molha até a cintura. Eu só saio daqui, quando a maré está grande (cheia), vindo no cais”, conta Zelita Mercês da Colônia Leite, 83 anos, uma das moradoras mais antigas de lá.

Com graça, ela conta sobre a visita do prefeito João Henrique, durante o primeiro turno das eleições. “Ele molhou as canelas e chegou a passar mal com o balanço do barco. Viu o que a gente passa por aqui”, disse entre risos. Segundo informações da prefeitura, as obras para instalação das pontes para atracação de embarcações terão início ainda este ano. Serão duas e serão instaladas em Santana e outra em Praia Grande.

Fora tais dificuldades, a ilha tem praias aprazíveis. Ao todo são oito povoados oficiais, de leste a oeste da costa: Neves, Itamoabo, Botelho, Santana, Caquenge, Praia Grande, Bananeiras e Martelo. Das oito localidades, Neves, Itamoabo, Santana e Praia Grande são consideradas as mais importantes. As duas últimas as mais populosas.

Tempo – Pela Praia de Santana, Geovane do Nascimento Maciel, 24 anos, “pilota” seu jeguinho, encarregado de levar até o Bar do Bira, em Itamoabo, dois engradados de cerveja. Pelo serviço, cobra R$ 1 cada caixa. Vai e volta, percorrendo as praias, das 8h da manhã até as 17h da tarde, quantas vezes for necessário.

E não é o único. Pela Ilha de Maré, o que se vê de trânsito é congestionamento de jeguinhos, responsáveis pelo giro do comércio local, transportando as mercadorias importantes do lugar. Pena não ter um órgão para contabilizar a “frota”, mas os animais não são poucos. A ponto de os transportadores chegarem
a brincar: “Olha o carro! Cuidado!”, costumam gritar para pedir passagem.

Como significam o ganha-pão de muitos moradores de lá, os jeguinhos são valorizados. E existem critérios para isso. “Aqui, se o animal arreia no meio da caminho, dizem logo que não presta”, conta Nadson da Puridade, 20 anos, dono de dois jegues, o último adquirido por R$ 500.

O transporte de jegue é um dos sinais de que o tempo anda devagar em Ilha de Maré. Mas os avanços da modernidade aparecem nas lanchas rápidas que
cortam o mar próximo às suas praias, nos celulares e na internet discada, já não tão moderna
assim.

As marcas do tempo estão também nas construções. As casas de Praia Grande, por exemplo, em sua maioria, são erguidas com “areia doce” (misturada com cimento), encontrada em um local chamado “roteiro da areia”, cravado no morro acima da praia. Já a Igreja Nossa Senhora de Santana, de 1552, como patrimônio histórico, traz parte da história do lugar, e tem origem que remonta ao período barroco.

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