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SALVADOR

Enxaqueca faz 34 milhões de vítimas no Brasil

JORNAL A TARDE

Por JORNAL A TARDE

30/03/2006 - 0:00 h

Considerada um “martírio”, doença é uma das causas de falta ao trabalho e à escola



FABIANA MASCARENHAS




Todo mês, uma semana antes do período menstrual, a comerciária Suely França, 45 anos, enfrenta o que ela define como um verdadeiro “martírio”. “Começa com umas alfinetadas nos olhos, depois sinto umas pontadas na cabeça, em seguida, vem a náusea acompanhada de vômitos. A partir daí, pronto. Começa a minha sina”, revela.



Os sintomas descritos pela comerciária são resultado de uma enxaqueca que a acompanha há dez anos. Mensalmente, ela é encaminhada para atendimento médico de emergência e obrigada a faltar ao trabalho. “É uma dor terrível! Já fico pensando no mês seguinte. Estava fazendo planos de viajar com a família na Semana Santa, mas não vou porque sei que estarei no período menstrual”, lamenta.



Assim como Suely, outras 34 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia (SBC). No caso dela, o fator desencadeante é a menstruação, no entanto, há inúmeros outros fatores que podem causá-la, como problemas emocionais, estresse, hereditariedade, álcool, uso abusivo de analgésicos e hipertensão arterial (ver box).



Além de dor de cabeça, tontura, náusea e vômito, os pacientes costumam apresentar outros sintomas durante a crise de enxaqueca: intolerância à luz (fotofobia), obrigando o indivíduo a procurar locais escuros para seu conforto; intolerância a ruídos (fonofobia) e a odores (osmofobia).



O cefaliatra José Martônio explica que a enxaqueca é uma forma de cefaléia, mas não a única. “Muitas pessoas se confundem em relação ao significado das palavras. A dor de cabeça, por exemplo, é uma terminologia popular, mas é a mesma coisa que cefaléia. O que muda são as modalidades de cefaléia existentes”, explica.



Atualmente, a Sociedade Internacional de Cefaléia reconhece mais de 240 tipos de dor de cabeça. Uma delas é a cefaléia do orgasmo, que surge durante o ato sexual. Embora não muito comum, este tipo de dor de cabeça pode acometer homens de diversas idades e durante muito tempo, caso não seja procurada ajuda médica. “É muito ruim! Parece que a cabeça vai explodir no mesmo instante da ejaculação. Muitas vezes, desisto de transar por causa da dor”, conta B.G., 27 anos, que descobriu o problema aos 18.



Martônio explica que uma crise típica de enxaqueca é reconhecida pelo tipo e localização da dor, normalmente latejante e unilateral; pela intensidade, de moderada a forte; e está freqüentemente associada a náusea, vômitos e desconforto com a exposição à luz e sons altos, podendo durar de quatro a 72 horas.



“A freqüência é bastante variável, já que, enquanto alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês”, esclarece Martônio, que também é diretor do Serviço de Cefaléia e Enxaqueca da Bahia (Scenba).



O serviço foi criado pelo cefaliatra em novembro de 1992, junto com profissionais da área, que desenvolvem pesquisas, esclarecem dúvidas e abordam formas de tratamento com os pacientes. O médico é também criador do Clube da Enxaqueca, que, atualmente, conta com cerca de dois mil pacientes.



Cuidado com o uso de analgésicos



Em busca do alívio imediato da dor, muitas pessoas ingerem analgésicos sem prescrição ou acompanhamento médico. Os especialistas alertam, entretanto, que a utilização de doses progressivamente mais altas dos medicamentos, ao invés de eliminar a dor, contribuem para o agravamento da cefaléia.



“Se utilizados freqüentemente em quantidades excessivas, separadamente ou em combinação, esses analgésicos e outras medicações para dor podem perpetuar a cefaléia, tornando-se um problema crônico diário”, explica José Martônio, cefaliatra, acrescentando que alguns indivíduos consomem as medicações antecipadamente, pelo receio de uma crise forte, levando ao uso desnecessário dessas medicações.



De acordo com a neurologista Elza Magalhães, o uso do medicamento é considerado abusivo quando o paciente consome, pelo menos, 15 comprimidos de analgésicos simples ou dez de comprimidos opióides (mais fortes) por mês, durante três meses consecutivos. “É preciso procurar ajuda médica e trocar o analgésico, que serve apenas para tratar a crise, por um medicamento que vai evitar a dor”.



O tratamento dependerá do perfil de cada paciente, e o uso do medicamento dura, em média, de seis a oito meses. “Embora a doença não tenha cura, os pacientes que buscam ajuda conseguem ter uma boa qualidade de vida”, afirma Magalhães. Já entre os tratamentos alternativos procurados para melhorar a enxaqueca estão a acupuntura, o pilates e o RPG.



O paciente também pode melhorar o quadro, evitando alguns fatores desencadeantes, como ficar em jejum por um período prolongado, estresse, consumir determinados alimentos como chocolate, vinho tinto, sorvetes industrializados, queijo amarelo e derivados do leite em geral. “A enxaqueca tem se expressado na população de forma mais freqüente em função do estilo de vida das pessoas. Daí a importância de manter uma vida saudável”, orienta a neurologista.



Cefaléia atinge 30% da população infantil



A doença crônica é uma das causas do afastamento de pessoas do trabalho e da escola. Dados da SBC revelam que 51% apresentam redução de produtividade na escola ou trabalho e 49% sofrem de incapacitação total. As faltas ao trabalho e a perda da produtividade geram um custo anual ao País de US$ 27 bilhões.



Estima-se que a prevalência da queixa de dor de cabeça ao longo da vida seja de 93% nos homens e 99% nas mulheres e que 76% do sexo feminino e 57% do masculino tenham pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. Já a prevalência geral da enxaqueca ao longo da vida é de aproximadamente 12% – 18% entre as mulheres, 6% nos homens e 4% nas crianças.



Portanto, engana-se quem pensa que crianças e adolescentes estão livres do problema. De acordo com a neurologista e pós-graduada em dor Elza Magalhães, a estimativa é a de que a enxaqueca afeta 30% da população infantil. “A apresentação da doença varia de acordo com a faixa etária. Na infância, por exemplo, a criança, muitas vezes, sente tontura, dor abdominal, vômitos, mas nem sempre tem dor de cabeça, o que leva muitas pessoas a atribuírem estes sintomas a outras doenças”, explica.



A estudante Poliana Lima de Araújo, 15 anos, sabe bem o que é ter enxaqueca. Ela convive com a doença desde os 8 anos e, freqüentemente, tem que ser levada ao hospital por causa das crises. “Numa delas, cheguei a vomitar 14 vezes em apenas duas horas”, conta a estudante, que, antes da crise, costuma sentir dormência na boca e perda do movimento do braço esquerdo.



Assim como Poliana, algumas pessoas que sofrem de enxaqueca – também conhecida cono migrânea – apresentam na fase que precede a crise de dor fenômenos neurológicos transitórios a que se dá o nome de aura. A sensação de dormência de um membro é apenas uma das auras, mas há também as auras visuais, nas quais o paciente tem alterações do campo visual, como o aparecimento de relâmpagos de luzes coloridas e enevoamento da vista.



No caso da estudante, há histórico de outras pessoas na família com o mesmo problema, mas, segundo a neurologista Elza Magalhães, isso não é uma regra. “A enxaqueca é uma doença genética, mas o fato de uma pessoa ter uma herança genética e ser portador da doença não significa, necessariamente, que alguém na família tem que ter o mesmo problema. O que ocorre é que a pessoa nasce com o gene da doença”, esclarece.



SAIBA MAIS



Fatores desencadeadores




  • Problemas emocionais: 60,27%
  • Hereditariedade: 55,74%
  • Álcool: 28,39%
  • Menstruação: 18,11%
  • Alimentação: 17,77%
  • Hipertensão arterial: 16,37%
  • Uso abusivo de analgésicos: 15%
  • Hipotensão arterial: 14,28%
  • Atividade física: 14%
  • Distúrbios de sono: 10%
  • Mudanças climáticas: 5%
  • Osmofobia (intolerância a dores): 5% Características
  • Duração das crises – 4 a 72 horas, se não tratadas
  • Tipo de dor – pulsátil (latejante), na maioria das vezes
  • Intensidade da dor – moderada a forte, na maioria das crises não tratadas
  • Fenômenos acompanhantes – intolerância à luz (fotofobia), a ruídos (fonofobia) e a odores (osmofobia), náusea, vômito
  • Fatores de agravamento – movimentos súbitos ou inclinação da cabeça, esforços físicos ou mentais, decúbito (em alguns pacientes)
  • Fatores de melhora – sono (em alguns casos), aplicação de gelo, compressão das têmporas Dicas
  • Procure não fumar ou ficar perto de quem fuma
  • Evite o consumo diário de cafeína (café, refrigerantes, entre outros)
  • Beba muita água, sempre
  • Não tome pílula anticoncepcional. Procure métodos alternativos
  • Não faça reposição hormonal convencional
  • Não “pule” refeições, especialmente a da manhã
  • Exclua o leite de vaca de sua dieta
  • Consuma derivados fermentados do leite, como iogurtes naturais e leites fermentados
  • Não coma doces em excesso
  • Evite o consumo de pães
  • Evite o consumo freqüente de massas, e, quando consumir, prefira as integrais ou cozidas “al dente”
  • Evite o queijo amarelo. Pode comer queijo fresco
  • Evite chocolate em excesso
  • Evite carne de frango, ela pode conter altos teores de antibióticos, hormônios artificiais, entre outros aditivos
  • Procure consumir frutas e verduras de cultivo orgânico. Fonte: www.enxaqueca.com.br
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