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SALVADOR

Fazenda Coutos: Um bairro no meio do nada

Meire Oliveira, do A Tarde

Por Meire Oliveira, do A Tarde

25/04/2008 - 23:24 h | Atualizada em 25/04/2008 - 23:53

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Há quem diga que o povoamento da região hoje conhecida por Coutos teve início com o deslocamento de parte das famílias que ocupavam as antigas Malvinas (hoje Bairro da Paz). Mas moradores da parte do bairro mais próxima a Paripe afirmam que estão no local há quase 30 anos. Acomodação não faz parte do vocabulário dos fundadores que expandiram o bairro, hoje composto por mais três loteamentos nomeados de Fazenda Coutos. Eles ainda preservam o espírito de coletividade do início de sua formação, feita em mutirão por seus primeiros habitantes.



Pés de licuri, dendê e mato eram a paisagem do bairro quando Aurelina Aurelina Alves dos Santos, 61 anos, chegou, no início da década de 80, cansada de pagar aluguel na Avenida Barros Reis. A partir da entrega do lote, as primeiras casas foram feitas pelos novos moradores. “Um ajudava o outro. Um carregava o bloco, enquanto o outro pegava a telha ou trazia água. Era só marcar o dia”, contou. Com o tempo, as novas necessidades levaram à organização para conquistas de direitos mais amplos. Tudo era discutido em reuniões na sua casa. Mas a líder comunitária nasceu quando, de um terreno baldio, um odor fétido atrapalhou a conversa com uma visita na sala de casa. “Lá era o depósito de lixo e, nesse dia, jogaram um cachorro morto e eu decidi que tinha que fazer algo”, disse a também presidente da associação.



Os contatos feitos nas reuniões no posto da prefeitura que existia na região facilitaram a mudança. Após a retirada do entulho e do lixo, uma feira de roupas usadas e outros objetos arrecadou dinheiro para construção da sede da Associação Beneficente dos Moradores da 1ª Etapa de Fazenda Coutos, criada há 23 anos com banheiro, a cozinha e uma sala. No mesmo local, há dez anos, funciona a Escola Comunitária Criança Feliz, hoje bem mais ampla. As 200 crianças atendidas até a 4ª série são acomodadas em quatro salas. Lá, elas recebem material escolar, alimentação e fardamento.



“No início, cada um trazia sua cadeira de casa. Adoro minhas crianças. Quando tenho que sair, não deixo de ligar o tempo inteiro para saber como elas estão, se já comeram”. O recém-construído andar superior deve abrigar uma cooperativa para suprir os gastos com a escola e gerar renda aos profissionais da comunidade. Mas os detalhes do projeto ainda não podem ser revelados. “Tudo tem que ter planejamento. Não gosto de espalhar nada antes de fazer”, conta o segredo.



Já na 3ª e 2ª etapas do bairro, há 25 anos, em 12 de junho, foi feita a primeira mudança. O grupo veio da ocupação da antiga Malvinas (Bairro da Paz). “Foram 27 derrubas que a gente enfrentou lá até chegar aqui. Cada um recebeu um lote, cobertor, pão e leite. Montamos barraca de plástico, sem luz e água só em um chafariz que ficava na praça. Aqui só tinha mato e bicho de porco”, conta orgulhosa Maria das Graças Martucelli, 59 anos, presidente da associação de feirantes de Fazenda Coutos III.

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