SALVADOR
Festa de São João anima os idosos do Abrigo D. Pedro II
Com roupas quadriculadas, chapéu de palha, vestido de chita e muita animação, os idosos do Abrigo D. Pedro II, na Cidade Baixa, mostraram que o clima de São João também está presente no local.
Na festa realizada nesta quarta-feira, 19, havia comidas típicas do período junino, forrozeiros e quadrilha, apresentada pelos próprios residentes da instituição. "Todo ano, participo da quadrilha. O São João é a melhor festa do ano para mim", disse Ana Maria de Jesus, 66 anos, uma das moradoras do abrigo.
Os que não participaram da dança por algum problema de saúde, ficaram sentados e arriscavam umas balançadinhas no corpo. "Tenho problema nas pernas, mas meus braços estão ótimos e faço o que posso para não ficar parada. Mas minha vontade era dançar o dia todo", revelou a aposentada Maria Celeste Souza, 82 anos.
Outro aposentado, Pedro Evangelista, 70 anos, há dois meses no local, ficou emocionado ao dançar quadrilha pela primeira vez: "Nunca havia dançado quadrilha em toda a minha vida. Adorei a experiência e pretendo continuar em todo São João".
Para completar o clima do tradicional arraiá, uma personagem marcou presença na festa: a rainha do milho. Há mais de cinco anos, Dioneia Lima recebe o título no Abrigo D. Pedro II, estampado em uma faixa amarela. "Adoro ser a rainha do milho daqui. É um prazer muito grande", revelou.
Sanfoneira há mais de 20 anos, há 15 a professora de recreação Raquel Cohen, toca no arrasta-pé. "O pessoal me chamou para tocar na quadrilha há 15 anos, e estou aqui até hoje. Ver a alegria das pessoas dançando ao som da minha sanfona é uma felicidade enorme", declarou.
Uma das funcionárias da instituição, Regina Lúcia Xavier fez questão de falar dos preparativos. "Faltando um mês para o São João, os idosos começam a ensaiar a quadrilha, confeccionar as roupas. Eles esperam superansiosos pela festa", disse.
Performance teatral - Nem todos os idosos acolhidos no momento participaram da quadrilha. Alguns sequer puderam assistir à festa. Mas, mesmo em repouso por conta de problemas graves de saúde, eles serão contemplados com uma performance teatral para relembrar as tradições juninas.
Nesta sexta, 21, cada enfermo irá assistir no próprio quarto a uma pequena apresentação sobre danças, comidas típicas e a origem do São João. "Os funcionários fazem as apresentações e participam com os idosos. Eles ficam muito felizes", garante a pedagoga Tatiana Bastos, que trabalha no local.
O secretário de Reparação Social e Combate à Pobreza, Maurício Trindade, que compareceu à festa de ontem, chamou a atenção para a importância do evento: "Realizamos esse arraiá há mais de 20 anos. Os idosos fazem as comidas típicas, as roupas das quadrilhas. É um momento onde eles se sentem ativos e importantes".
De acordo com Maurício Trindade, a maioria das datas importantes são comemoradas na instituição. "Além da festa junina, também celebramos a lavagem da igreja do Bonfim, Natal, Ano Novo, sem esquecer dos aniversários dos que moraram aqui", completou.
O D. Pedro II é o único abrigo municipal de Salvador e atende hoje 75 idosos de diferentes idades. Eles recebem atendimento prestado por psicólogos, enfermeiros, pedagogos e nutricionistas, contratados pela Secretaria de Reparação Social e Combate à Pobreza.