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Foliões seguiram arrastão como se fosse primeiro dia

Publicado quinta-feira, 02 de março de 2006 às 00:00 h | Atualizado em 02/03/2006, 00:00 | Autor: JORNAL A TARDE
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Ivete Sangalo e Carlinhos Brown atraíram oito mil pessoas, segundo a PM



JANE FERNANDES




A Quarta-feira é de Cinzas, mas os foliões carnavalescos não. Eles até podem ter se queimado na loucura dionisíaca que tomou conta da cidade, nos últimos dias, mas bastou o primeiro movimento do famoso arrastão para que, tal como a mitológica Fênix, cuidassem de renascer. Revigorados por um banho de mar ou uma bela chuveirada, os súditos de Momo queriam era mais.



Seguindo o falante Carlinhos Brown e a escrachada Ivete Sangalo, eles sacolejaram os corpos suados entre o Farol da Barra e a Avenida Adhemar de Barros (Ondina) como se tudo estivesse apenas começando.



Para o jovem André Gonçalves, 18 anos, que saiu em bloco, pipocou e “pegou várias gatinhas”, o segredo da energia interminável está no combustível utilizado “capeta e birinight”, revelou, gargalhando, sem esconder o estado de embriaguez. Além disso, apenas um rápido cochilo, ali na areia da praia mesmo.



Já Pedro Chaves, 21 anos, seguiu um esquema um pouco diferente. Se esbaldou no Campo Grande até a passagem do último trio e depois foi para casa dormir. Mas, como Carnaval pouco é bobagem, lá estava ele de volta cantando o refrão “E a galera toda agita”, sem dar trela para o empurra-empurra.



Enquanto Brown se alternava entre o alto e o chão, o trio de Ivete seguia acelerado o trajeto da folia pela última vez em 2006. A turma, no entanto, seguia junto, independentemente do ritmo. Para Ana Magalhães, 22 anos, toda essa vibração é muito natural para quem nasce na Bahia.



“Tá no sangue. Se deixar, eu vou até amanhã”, declarou, saltitante. Mesmo quem parecia ter ido ao circuito apenas para curtir a praia dificilmente resistia aos toques dos timbaleiros ou ao convite de Saulo e Elaine Fernandes (respectivamente vocalistas das bandas Eva e Planeta Axé).



OUSADIA – Se tinha a turma que, mesmo deitada, mexia a perna ou batia as mãos, acompanhando os acordes carnavalescos, tinha quem preferisse mesmo sossego. Mas isso era quase impossível, principalmente depois da aparição de uma nova estrela na música baiana. Atendendo a pedidos, a anfitriã de Saulo e Elaine encarnou “Piriguete Sangalo” e fez o povo soltar os quadris.



No meio do esfrega-esfrega ao som do arrocha piriri pompom, eis que ela percebe um movimento diferente no mar. “Olha o cara fazendo ousadia dentro da água”, alardeou a cantora, interrompendo a “diversão” de um casal.



Idealizador desse momento de despedida, no qual o Carnaval se despede dos seus ares de espetáculo para ser mais povo, Brown ia na frente, abrindo o caminho do fim. Depois de ter se queixado em alto e bom som ao ministro Gilberto Gil sobre o descaso com a educação e cultura do “nosso povo”, ele detonou a falta de apoio financeiro para o arrastão.



“Nenhuma dessas marcas que estão aí teve coragem de patrocinar e depois não querem que a gente reclame”, disparou, sem anunciar o alvo. Já o outro petardo teve endereço devidamente declarado. Era o ex-timbaleiro Ninha.



Apesar de ter participado dos desfiles da banda percussiva no palco principal do Carnaval midiático, a passarela do Campo Grande, o antigo vocalista da Timbalada não deu as caras no arrastão. “Hoje que era o dia de mostrar que é timbaleiro!”, largou Brown. Na galera, no entanto, ninguém sentia falta da sua presença. Nada era mais importante do que tentar prolongar a farra.



As artimanhas de pedir essa ou aquela canção funcionaram até quase 13 horas, quando, cantando um sucesso gravado no disco Tribalistas, o percussionista do Candeal se despediu da multidão de quase oito mil pessoas, segundo Polícia Militar.

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