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SALVADOR

Força estranha: Luzia de Almeida é um exemplo de luz e força

Amélia Vieira , do A TARDE

Por Amélia Vieira , do A TARDE

08/03/2010 - 13:46 h | Atualizada em 12/03/2010 - 15:07

Um glaucoma congênito impedia a pequena Luzia de ver com clareza e definição as formas e cores do mundo. Com visão deficiente, para ser alfabetizada precisava que os professores escrevessem com letras grandes e com hidrocor. Mas as escolas de Feira de Santana, cidade natal, não estavam habilitadas para atender às suas necessidades. Foi então que ela, aos 9 anos, veio morar sozinha em Salvador, como interna do Instituto de Cegos da Bahia, onde ficou até os 18 anos.

A trajetória de luta e superação que permeia a vida de Luzia Mascarenhas de Almeida, hoje com 28 anos, representa
o universo feminino formado por mulheres, anônimas e famosas, que se negaram a acatar passivamente o destino que lhe seria o mais provável e se agarram com gana e coragem para traçar um novo rumo em suas vidas.

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Foi assim com Luzia, que sofreu bastante no início de sua estadia em Salvador. Uma vez no mês ela ia visitar a
família em Feira. “Eu chorava muito dizendo que não queria voltar. E meu pai falava: eu não quero uma filha burra”, recorda, bem-humorada e sempre com um sorriso meigo no rosto.

“Eu sempre brincava: sou mulher, cega e filha caçula. Tinha tudo para dar errado”, diverte-se a jovem. Mas não
foi assim. No instituto, Luzia tinha aulas de música, aprendeu leitura em Braille, praticava atividades físicas e tinha reforço escolar no turno fora da escola, que ela frequentou integralmente na rede pública, nos colégios Marquês de Abrantes (Santo Antônio) e Carneiro Ribeiro (Soledade).

Ao completar 18 anos, idade limite para ser interna do Instituto de Cegos, ela retornou para Feira de Santana, onde cursou o ensino médio na Escola Gastão Guimarães, também da rede pública. Ao final, prestou vestibular e perdeu. Mas não desistiu. Partiu para o cursinho e, depois de um ano, conseguiu a aprovação no curso de história na Universidade Estadual de Feira de Santana. No fim do ano veio a aprovação, sem o benefício de cotas, no curso de psicologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde cursa atualmente o último semestre.

Vitórias – Ao contar sua história de vida, Luzia destaca sempre suas vitórias e em momento algum reclama das dificuldades. Mas elas existiram. E não foram poucas. Do tempo de escola se recorda de quando estava na oitava série e uma professora foi montar uma peça de teatro. Ela foi sumariamente excluída do elenco por causa da deficiência visual.

“Hoje, talvez, eu lutasse pelos meus direitos, mostrasse que não tem distinção entre um deficiente e as outras pessoas. Mas, na época, minha forma de mostrar que era igual foi estudar e tirar as melhores notas. A peça acabou não acontecendo e a professora, quando viu meu desempenho, passou a me respeitar mais”, conta.

O preconceito também está nos comentários, além de expressões de piedade. “As pessoas pensam que quem tem deficiência é inferior. Sinto isso nos discursos”, comenta Luzia. Por falar em discursos, um dos mais infelizes foi o de um homem que sentou ao seu lado no ônibus. “Se eu nascesse cego eu me matava”, vaticinou ele.

Paciente, Luzia explicou que não era bem assim e que tinha uma vida normal. Nenhum argumento convencia o homem, que continuava a repetir a frase. Cansada, a futura psicóloga mudou de estratégia e alertou: “Catarata e glaucoma levam à cegueira. O senhor já está com a idade avançada. É melhor procurar um oculista”. A história contada com risadas dá um sinal de como Luzia encara a vida. A perseverança também marcou as dificuldades que teve na vida universitária. Ao ingressar no curso de psicologia da Ufba percebeu que não havia material didático em Braille nem conteúdo gravado.

Foi até a Faculdade de Educação conversar com uma professora que é referência na área de educação especial. Dela, ouviu: “Inclusão é fácil na teoria”. Foi como um balde de água fria na estudante.

Leia está matéria completa na edição desta segunda-feira, 8, no jornal A TARDE

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