SALVADOR
GGB: paradas gays ajudam a combater a homofobia

Por Kleyzer Seixas, A Tarde On Line
Estado recordista no número de paradas gays no Brasil, a Bahia prepara-se para mais eventos de protesto contra a discriminação homossexual. Neste domingo, 26, a cidade de Saubara, localizada no Recôncavo Baiano, vai sediar a 3ª Parada Gay do município. Já Camaçari, na região metropolitana de Salvador, adere ao protesto no dia 02 de setembro. Os eventos feitos fora da capital baiana são vistos como um ponto positivo para o presidente do Grupo na Bahia, Marcelo Cerqueira.
A realização desse tipo de evento no interior fortalece ainda mais o trabalho do GGB e explica porque a Bahia é o estado que possui o maior número de manifestações desse modelo, diz Marcelo Cerqueira. “Saubara é, praticamente, uma rua. O lugar é bastante pequeno e as pessoas saem de casa e vão para a rua. Fazem a maior festa lá, com muito colorido e com muita alegria também”, destaca.
O presidente do GGB atribui o interesse de participação em e Paradas Gays e outros tipos de manifestação com modelo similar no Estado ao trabalho que vem sendo realizado pelo Grupo desde a sua fundação, há mais de 26 anos. Segundo ele, a atuação do GGB tem sido bastante importante para a formação de novos grupos em cidades do interior do Estado e também na capital baiana.
Somente na Bahia, mais de 16 cidades vem realizando a Parada do Orgulho Gay nos últimos anos, destaca Cerqueira. Dentre elas, Alagoinhas, Camaçari, Lauro de Freitas, Valença, Nazaré, Saubara, Mata de São João, São Sebastião do Passé, Simões Filho, Nazaré das Farinhas, Feira de Santana, Jequié, Vera Cruz, Madre de Deus, Cachoeira e Dias D´ Ávila.
O Estado também tem uma outra vantagem. De acordo com Cerqueira, a população local tem avançado bastante nas questões ligadas ao respeito à sexualidade. O presidente do GGB destaca, no entanto, que o preconceito ainda ocorre, mas em número menor e em graus de ofensas menos graves se comparado a cidades de outros estados do Brasil, sobretudo a cidades nordestinas.
“A discriminação ainda acontece, mas a Bahia está na frente de vários outros estados do Nordeste. Nesse fim de semana, por exemplo, viajei até Sergipe e fiquei chocado com a homofobia do lugar. Aqui, o gesto máximo de violência contra nós não nos afeta tanto. Em outros estados do Nordeste, não podemos dizer o mesmo”, destaca.
Cerqueira acredita que o respeito à homossexualidade deve avançar mais ainda nos próximos anos. “A situação tem se modificado e a tendência é uma convivência harmoniosa. A homofobia existe, mas está melhorando aos poucos. Com avanço da sociedade e da cultura, as pessoas estão ficando cada vez mais atentas para os seus direitos e também aos dos outros”, explica.
A grande participação de heterossexuais na Parada de Salvador é, inclusive, uma prova de que as pessoas estão cada vez mais tolerantes às escolhas sexuais, explica Cerqueira. “Esses eventos nasceram com a finalidade de ser GLS, mas com o passar dos tempos, as pessoas passaram a passarem a enxergar como forma de protesto da comunidade e como diversão para elas, porque tem muito colorido, muita alegria. O povo acabou invadindo. Acho que é o destino da parada que esta se cumprindo. Ele é um evento com intuito de aglutinar pessoas e valores. E eles estão se solidarizando conosco”, destacou.
Salvador
Além de Saubara e Camacari, uma outra Parada do Orgulho Gay ocorrerá em Salvador. Já está tudo pronto, inclusive, para a 6ª Festa do Arco-íris tomar as ruas da capital baiana no dia 9 de setembro. Segundo Cerqueira, serão 11 trios que percorrerão o circuito, que começa no Campo Grande, segue pela a Avenida Sete e retorna pela Avenida Carlos Gomes.
A concentração deve começar por volta das 9h no Campo Grande, como ocorre todos os anos. “O pessoal começa a chegar bem cedo”, diz Cerqueira, ao lembrar que o desfile está previsto para começar depois das 11h. A estimativa do presidente é que cerca de 700 mil pessoas acompanhem os trios, quase o mesmo numero de participantes de 2006, segundo o presidente do GGB.
Neste ano, o evento terá como madrinha a cantora baiana Mariene de Castro, a sexta na lista dos padrinhos e madrinhas que foram prestigiar a Parada Gay da Bahia. O primeiro foi o cantor Edson Cordeiro. Depois, foi a vez de Ivete Sangalo, seguida por Simone Sampaio, a reitora da UNEB Ivete Sacramento e o ex-big brother Jean Willys. A cantora Preta Gil foi a madrinha no último ano.
Cerqueira diz que Mariene de Castro foi escolhida para ser a madrinha da sexta edição do evento devido à sua participação em diversos grupos e associações de diversos tipos. “Ela tem sido uma pessoa muito simpática com o público GLS. Alem disso, Mariene é associada a diversas outras causas, como ambientais, negras”, destaca o presidente.
A segurança da festa também está definida. Os representantes do Grupo Gay se reniram com funcionários da Emtursa (Empresa de Turismo de Salvador) nesta quinta-feira, 23, e decidiram que 1.200 policiais, entre civis e militares, serão deslocados para assegurar a proteção das pessoas que irão comparecer ao evento. Depois de Salvador, o próximo município baiano a receber uma Parada Gay será Lauro de Freitas.
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