Greve dos professores chega ao 6º dia e sem previsão de término

Smed segue afirmando que os 33,24% de reajuste pedido pela categoria é impraticável para a gestão municipal

Publicado terça-feira, 24 de maio de 2022 às 06:10 h | Atualizado em 23/05/2022, 23:01 | Autor: Priscila Dórea

Completando seis dias nesta terça, a greve dos professores municipais de Salvador parece estar longe do fim: de um lado, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-BA) se movimentando pela cidade tentando conscientizar a população sobre a situação e realiza assembleia, nesta quarta-feira, 25, às 9h. Do outro lado, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) segue afirmando que os 33,24% de reajuste pedido pela categoria é impraticável.

De acordo com o titular da Smed, Marcelo Oliveira, o órgão já usou mais que a totalidade disponível de recursos destinados ao pagamento de professores. “Sempre mantivemos diálogo aberto com a categoria e agora estamos em uma posição de tranquilidade. Além de oferecermos um reajuste de 11,37%, atendemos aos 13 pedidos feitos por eles. Então, achamos essa greve completamente desnecessária, ainda mais levando em consideração os dois anos de aulas suspensas por causa da pandemia. No fim, quem sai perdendo nisso tudo são os alunos”, afirma.

O secretário explica que esse reajuste de 11,37% foi dividido da seguinte forma: 6% de reajuste horizontal em toda a tabela da categoria, e o avanço de dois níveis indiscriminadamente para todos os professores (um reajuste de 2,5% + 2,5%), coisa que normalmente só é feita após avaliação.

“Eles sabem que esse reajuste de 33,24% é inatingível e o que percebemos é que essa greve tem fundo eleitoreiro, onde as lideranças sindicais querem estar em evidência. Quero salientar que não é a maioria que aderiu. Mais da metade continua dando aula, então é importante que as famílias saibam e levem seus filhos”, alerta o secretário.

Enquanto o Executivo municipal se diz tranquilo quanto ao que fez em prol da categoria dos professores municipais, o APLB-BA segue esperando um contato do órgão para que negociações sejam feitas. 

“Estamos estranhando essa demora deles em entrar em contato, até porque nos colocamos à disposição para ter essa conversa. Não estamos lutando apenas por melhores salários, mas também por melhores condições de trabalho e educação de qualidade para a população”, explica a diretora de assuntos jurídicos da APLB-BA, Marilene Betros.

Diretora administrativa da APLB-BA, e professora das redes pública estadual e municipal de Salvador, Elza Melo afirma que essa greve é de completa responsabilidade do Executivo municipal. 

“A verdade é que tivemos muita paciência até chegar ao ponto de recorrer a greve, mas paciência tem limite. As negociações não são de agora e queremos ser respeitados como profissionais e ter um tratamento digno, assim como os alunos merecem uma escola que os atenda e acolha devidamente”, explica.

Entre as reinvidicações da categoria está a equiparação salarial ao piso nacional (que é de R$ 3.845), a alteração no pagamento do auxílio alimentação, a mudança de nível da categoria, valorizando assim profissionais que passaram por capacitação (pós-graduação, mestrado ou doutorado) e a melhoria na qualidade das escolas de forma geral, principalmente quanto a infraestrutura e a qualidade da alimentação dos alunos.

“Quando a prefeitura lança propagandas na TV sobre a educação em Salvador, sempre mostram escolas lindas e maravilhosas, mas que estão totalmente longe da realidade, que é precária, inclusive no que diz respeito à alimentação. É muito triste ver as crianças comendo bolacha seca com café ou cuscuz com água na merenda”, lamenta a diretora do APLB-BA, Elza Melo.

O titular da Smed rebate esses argumentos que, de acordo com ele, são os mais usados na campanha grevista da categoria. "É importante colocar que a sociedade tem que ver o absurdo da situação e assim não apoiar esse movimento. Das 428 escolas, requalificamos 330 nos últimos anos e as que ainda não foram recuperadas, estavam menos ruins quando começamos essa operação de obras extremamente arrojadas. Além do mais, não existe isso de merenda ruim, elas seguem o cardápio criado por profissionais de saúde e são entregues todos os dias aos alunos da rede. Simplesmente são argumentos que não correspondem a realidade", afirma Marcelo Oliveira.

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