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Humoristas das periferias se inspiram no cotidiano e encantam público

Brenda Gomes, Cleber Arruda, Gabrielle Guido, Laís Lopes e Lucas Barbosa | Agência Mural
Por Brenda Gomes, Cleber Arruda, Gabrielle Guido, Laís Lopes e Lucas Barbosa | Agência Mural
Enderson Cobra e os filhos adotivos Kauã e Kaick Figueiredo, os “Gêmeos Fexação” | Foto: Gabrielle Guido | Ag. Mural
Enderson Cobra e os filhos adotivos Kauã e Kaick Figueiredo, os “Gêmeos Fexação” | Foto: Gabrielle Guido | Ag. Mural -

Com resiliência e criatividade, jovens comediantes negros das periferias baianas transformam o cotidiano de adversidades em laboratório para seus trabalhos, satirizam pautas sociais e caem nas graças do público.

Manu Magnata, nome artístico de Emanuel Santos de Jesus, 20 anos, mora no Nordeste de Amaralina e busca na vizinhança referências para seus personagens. “Me inspiro nas pessoas do meu bairro, nas mulheres que vendem rifas, nas vendedoras de frutas. Fico observando o comportamento delas e vendo o que posso acrescentar em meu trabalho”, conta.

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Nas ruas da comunidade nasceu também uma de suas personagens, a repórter Thiffane Fox Kardashian, que aborda os moradores com entrevistas inusitadas, carregadas de pegadinhas, para o quadro humorístico “E aí população?”, do portal Complexo do Nordeste.

Também moradora do Nordeste de Amaralina, a atriz Bárbara Bela, 32 anos, conta que as mulheres das periferias são inspiração na construção da sua personagem Keylane, da websérie “Na rédea curta”, criada pelos comediantes Thiago Almasy e Sulivã Bispo. “Keylane é a menina chatinha que a gente vê em nossas periferias, bem metidinha, que batalhou muito para conseguir o que tem, que é guerreira e não come ‘reggae’ de ninguém. Todo mundo conhece alguém assim”.

Bárbara conta que o humor sempre esteve em sua trajetória. “Desde a faculdade, a gente vai sentindo inclinação para uma área específica e a minha sempre foi o riso. Acho que o humor salva”, diz.

Sucesso da vez nas redes sociais após viralizar com mensagens de bom dia motivacionais o bordão “Receba esse shalon”, o dançarino Enderson Cobra, 25 anos, de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, comemora o impacto do riso na vida dos seus seguidores. Shalon ou Shalom tem origem hebraica e significa paz.

“Recebo mensagens todos os dias e fico até emocionado em falar. Nunca vou esquecer de um médico que fez questão de me ligar e agradecer porque sua paciente havia passado por uma cirurgia, estava com depressão e se sentia melhor assistindo meus vídeos”.

Enderson grava os vídeos com os filhos adotivos Kauã e Kaick Figueiredo, ambos com 13 anos, os “Gêmeos Fexação”, que completam suas frases em coro e repetem bordões. “Percebi que a galera acorda querendo receber o shalon, que é uma palavra positiva, com energia lá em cima. Ouvir que ela é uma pessoa maravilhosa. E quando isso surgiu, eu estava dizendo aquilo para mim. Eu estava em um dia horrível e acho que nesse dia o Brasil estava precisando ouvir essa mensagem”, diz o artista.

A comédia também transformou a vida do humorista Jhordan Matheus, 27 anos. Com agenda de shows de stand-up movimentada, Jhordan retrata em suas piadas cenas do cotidiano em seu bairro Engenho Velho de Brotas. “Hoje, consigo realizar meus sonhos que é viver da arte e ajudar a minha família. A comédia hoje consegue me proporcionar coisas que eu jamais pensei em um dia ter”, conta ele que destaca a identificação criada com o público. “Uma galera que se identifica com a minha história, com que eu prego e falo. Pessoas faveladas e pretas como eu”.

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