Menu
Pesquisa
Pesquisa
Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email
20/06/2024 às 4:09 - há XX semanas | Autor: Felipe Sena & Gabriel Gonçalves

BALADA CRISTÃ

Igrejas neopentecostais modernizam cultos na busca por jovens

Figurino especial, iluminação cênica e atuação forte nas mídias sociais fazem parte da estratégia

Imagem ilustrativa da imagem Igrejas neopentecostais modernizam cultos na busca por jovens
-

“Nossa geração hoje, antes de olhar o conteúdo, vai olhar a embalagem. Se a embalagem não é atrativa, o conteúdo, que é muito importante, não chega”. As palavras são do pastor Jonatas Epifanio Kuster, de 38 anos, fundador da Igreja Conexão Casa, junto com a esposa, também pastora, Priscila Almeida, 36, desde 2016, no bairro de Itapuã, em Salvador. Atualmente eles também possuem uma igreja no bairro da Pituba.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), há 48,5 milhões de jovens entre 15 e 29 anos de idade no país. Além disso, a pesquisa Global Religion 2023, do Instituto Ipsos, apontou que entre os jovens de até 30 anos, a quantidade de evangélicos supera a de católicos: 30% contra 26%, respectivamente. Isto significa que há cerca de 14,5 milhões de jovens evangélicos no Brasil.

Para atrair esse público, muitas igrejas neopentecostais têm apostado na modernização dos cultos, lançando mão de estratégias diversas, como figurino especial para os pastores, iluminação cênica, decoração planejada e uma intensa movimentação nas mídias sociais. Todo esse trabalho tem deixado os cultos com cara de balada, muitas vezes tendo como trilha sonora músicas de estilos modernos, como funk e rap.

Segundo o pastor Jonatas, ao menos metade dos fiéis que congregam em sua igreja são jovens. Ele destaca, entretanto, que a atualização da linguagem está relacionada à forma e não ao conteúdo.

“A mensagem que a gente carrega é eterna, é a bíblia, mas a forma como a gente pinta a parede de uma cor, o uso da guitarra, da bateria, iluminação cênica, são formas de atualizar a embalagem e não o conteúdo”, diz.

Jonatas e sua esposa Priscila em ação na Igreja Conexão
Jonatas e sua esposa Priscila em ação na Igreja Conexão | Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Jonatas é filho de pastor e conta que foi após um intercâmbio para a Austrália, onde estudou na Igreja Houston, que teve a ideia de modernizar o culto.

“Foi lá que eu aprendi a fazer igreja, no sentido de quem não conhece a Jesus, a Deus, como alcançar, mais moderna, contemporânea. Quando voltei para o Brasil, como meu pai já tinha uma igreja, o Ramo da Videira, em São Caetano, eu iniciei o processo de pegar o que aprendi lá, para transicionar a igreja para uma pegada mais moderna”, conta.

“A pessoa vai perceber que foi atraída por um espaço, que por exemplo, parece com uma boate, mas que não vai ter bebida, vai ter a palavra de Deus”, completa.

Para a esposa de Jonatas, a pastora Priscila Almeida, o que atrai os jovens e pessoas que tem essa identidade moderna para a igreja deles é que, segundo ela, a Conexão é local alegre e leve.

“Quando se fala em igreja, se pensa em algo muito sério, que tem falar mais baixo. Então, antes de entrar no estacionamento, as pessoas vão te receber com alegria, com música gospel, mas música alegre, para cima. Então a pessoa chega lá animada”, diz Priscila, que destaca a importância dos efeitos cênicos para o culto.

“Tudo tem um porquê. Por que a parede preta? A fumaça saindo? Porque é melhor para uma iluminação cênica, que vai trazer uma atmosfera propícia de adoração. Porque se você vai a um lugar todo claro, em que todo mundo se enxerga, você às vezes não vai se sentir confortável de levantar as mãos, de chorar e adorar”, acrescenta.

Eric se encantou com a PIB após uma colega de escola o covnidar para um culto
Eric se encantou com a PIB após uma colega de escola o covnidar para um culto | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um desses jovens é o produtor de vídeos Eric Amorim, de 21 anos, que congrega na Primeira Igreja Batista (PIB). Ele conta que nasceu em uma família cristã - a mãe dele congrega na Assembleia de Deus -, mas diz que era “do mundo”, até que uma colega o convidou para um culto na PIB, na época em que estava no Ensino Médio.

“Eu dizia que não queria ser cristão e fui só pela ‘vibe’, porque a gente ia sair depois do culto, mas quando eu cheguei no culto foi muito incrível a experiência que tive. Desde a porta até o final do culto. Eu fiquei extremamente impactado de todas as formas possíveis com o amor das pessoas por mim e com o amor de Deus por mim. Jesus me encontrou naquele dia. Eu sinto que realmente fui encontrado naquele dia”, afirma.

Para ele, um dos motivos desta afinidade é o fato do pastor também ser jovem.

“O pastor dos jovens tem uma visão muito legal sobre os jovens por ele ser uma pessoa jovem. A gente vê que traz essa visão para o ministério de jovens, porque algumas pessoas acham: ‘É cristão, é chato’. Mas a gente tenta quebrar essa ideia. A gente pode ser um jovem feliz, então a igreja tem essa pegada”, acrescenta.

Para Eric, a liberdade da PIB durante os cultos faz com que ele se sinta em casa dentro da igreja.

“Uma coisa que eu senti muito impacto quando fui pra PIB é a liberdade espiritual. Se você quiser dançar durante o louvor, você pula; se você quiser gritar, você grita; se você quiser chorar, você chora; se quiser se ajoelhar, se ajoelha. Todo mundo está ali preocupado em adorar e não como”, conclui.

Por ter trabalhos audiovisuais e de mídias digitais, as igrejas neopentecostais têm grupos para execução de cada função. Eric conta que na PIB há ministérios de mídias sociais, produção, audiovisual, entre outras atividades simpáticas aos jovens.

“Do meio para o final do ano, por exemplo, vamos ter uma festa country. Então a gente tenta trazer essa juventude para que possa atrair cada vez mais jovens. A ideia é a gente vestir a blusa da festa e vir caracterizado”, diz Eric.

Para Andrei, além da estética moderna, a preocupação com o ensino teológico o atraiu para a Lagoinha
Para Andrei, além da estética moderna, a preocupação com o ensino teológico o atraiu para a Lagoinha | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A estética moderna também foi uma das características que levaram o diretor audiovisual Andrei Vilaça, de 22 anos, a congregar na Igreja Lagoinha, também em Salvador. Criada na periferia de Belo Horizonte, a igreja é liderada pelo pastor e cantor André Valadão, que já foi recebido para um show na Igreja Conexão.

Nascido em Valença, interior da Bahia, Andrei conta que se mudou para a capital em 2023. Segundo ele, assim que chegou à cidade, passou a procurar uma igreja para congregar. “Eu vim de um contexto de igreja batista tradicional e, quando estava buscando igrejas, o zelo com o ensino teológico e com o que está sendo pregado foram as coisas que mais levei em consideração, e busquei saber da Lagoinha”, explica.

Andrei diz ainda que, durante os cultos, há uma programação estabelecida, como o Salvador Sounds, Ministério de Louvor, Lagoinha News, com notícias e informações de eventos da igreja que vão acontecer durante as semanas, a pregação. Além da arrecadação de dízimos e ofertas.

Ele ainda destaca que a Lagoinha possui uma preocupação grande com a comunicação e que utiliza todas as ferramentas modernas para conseguir espalhar sua mensagem.

“Nós temos um ministério da comunicação da igreja, que cuida de toda a parte das mídias sociais, Instagram, Youtube, e que também vai cuidar da comunicação no culto. A gente tem material de fotografia, material de vídeo dos cultos, além da transmissão e daquilo que é passado no telão”, diz.

“Quanto à linguagem da igreja, essa estética mais moderna, por ser jovem, isso sempre me atraiu. Acredito que o senhor deseja ser louvado a partir de nossa identidade, desde que não seja pecado, mas isso da modernização, de paredes pretas, tipo de roupa, são coisas que vão se alternando. O que não pode mudar é o principal, que é o ensino da palavra de Deus e o cuidado para que as pessoas tenham uma vida de acordo com o que está escrito”, conclui.

Conexão política

Para o cientista político Bruno Soller, as novas igrejas neopentecostais podem influenciar a forma como o eleitorado de direita vota e, como tem atraído jovens, pode estar formando uma possível nova base de direita política. “Esses jovens podem ser um bastião de uma nova direita ou de um perfil mais conservador do eleitorado”, diz.

Para o cientista político Bruno Soller, jovens evangélicos podem ser um bastião de uma nova direita ou de um perfil mais conservador do eleitorado
Para o cientista político Bruno Soller, jovens evangélicos podem ser um bastião de uma nova direita ou de um perfil mais conservador do eleitorado | Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

“Essa consolidação de igrejas que olham para os mais jovens é uma tendência que vem desde a igreja Bola de Neve, e isso tem impactado na forma que o eleitor brasileiro tem votado”, completa.

Ainda segundo Soller, com a retração do catolicismo no Brasil pós-ditadura, igrejas neopentecostais têm sido criadas e ocupam um papel fundamental na base política de ultradireita no Brasil. “Nas grandes capitais, o que a gente tem visto é um aumento grande dos evangélicos. O Brasil tem se tornado uma potência evangélica”, diz o cientista político.

De acordo com uma pesquisa realizada a partir de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre os 124.529 estabelecimentos religiosos existentes no Brasil em 2021, 52% eram de evangélicos pentecostais e neopentecostais, 19% de evangélicos tradicionais e 11% de católicos.

O cientista político explica que, com o passar dos anos, o perfil do eleitorado foi se modificando. “Antes tínhamos um eleitor que se preocupava com a administração, depois isso foi passando por uma questão de classe social, principalmente depois do governo Lula, em 2002”, explica.

Cultos na Igreja Lagoinha
Cultos na Igreja Lagoinha | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ainda segundo Soller, as igrejas neopentecostais atraem os mais jovens, pois abrem mão das amarras cristãs tradicionais. Na Igreja Conexão, por exemplo, os fiéis podem ter tatuagens.

“A igreja evangélica tradicional, como as pentecostais, tem algumas regras mais parecidas com o catolicismo, como questões com o corpo das mulheres, de saia mais longa, cabelo mais comprido. Essas igrejas evangélicas modernas tentam romper, mostrar que ser evangélico não é um negócio chato”, fala.

Para o especialista, a nova base de direita faz parte do jogo. “Quando mais houver pessoas que tenham uma visão conservadora da sociedade ou que tenham visões de mundo mais teocêntricas, terá uma tendência de que essas pessoas fiquem mais à direita. A esquerda tem cada vez mais namorado com as pautas identitárias, e a direita acaba sendo uma reação a isso”, conclui.

Assuntos relacionados

cultura jovem e religião dinâmica de cultos contemporâneos estratégias de igrejas neopentecostais influência religiosa na política jovens evangélicos modernização de cultos

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Tags:

cultura jovem e religião dinâmica de cultos contemporâneos estratégias de igrejas neopentecostais influência religiosa na política jovens evangélicos modernização de cultos

Cidadão Repórter

Contribua para o portal com vídeos, áudios e textos sobre o que está acontecendo em seu bairro

ACESSAR

Assuntos relacionados

cultura jovem e religião dinâmica de cultos contemporâneos estratégias de igrejas neopentecostais influência religiosa na política jovens evangélicos modernização de cultos

Publicações Relacionadas

A tarde play
Play

Cenário de destruição: ônibus colidem na Avenida Tancredo Neves; vídeo

Play

Saiba quem é Marvin, ‘fiel’ do traficante mais procurado de Itaparica

Play

Após manutenção, Linha 2 do metrô volta a operar em Salvador

Play

CCR disponibiliza ônibus 'de graça' após pane na Linha 2 do metrô

x

Assine nossa newsletter e receba conteúdos especiais sobre a Bahia

Selecione abaixo temas de sua preferência e receba notificações personalizadas

BAHIA BBB 2024 CULTURA ECONOMIA ENTRETENIMENTO ESPORTES MUNICÍPIOS MÚSICA POLÍTICA