SALVADOR
Incêndios se repetem em toda a região
Nos últimos 15 anos, o apelo turístico da Chapada Diamantina levou a região à fama internacional. No período, várias ações de proteção e preservação foram anunciadas pelo poder público, em relação à fauna e flora, sem que tenham conseguido conter, ou minimizar, o principal problema, que ocorre em até três períodos por ano: as queimadas. E grande parte das áreas devastadas sequer consta tanto no noticiário quanto nos comunicados dos órgãos governamentais, espaços garantidos às áreas do chamado circuito turístico.
Se nos anos 1990 as queimadas atingiam, segundo estimaram analistas ambientais, em média 10% da área do Parque Nacional da Chapada, criado em 1985, superaram este índice já em 2001 e devastaram 17% em 2003, segundo registros do arquivo de A TARDE. Depois disso, apesar de as repetições nos anos seguintes serem tão previsíveis quanto a histórica seca anual do Nordeste, chega a 2008 com vasta área do parque nacional e da região devastada.
Em 2001, a Chapada foi atingida em três períodos, nos meses de fevereiro, setembro e outubro, como constou na capa de A TARDE Municípios (6/10). Na edição, o major Eliseu Maciel, que comandava o Grupamento de Bombeiro de Lençóis (11º GBM), já atribuía a culpa pelos incêndios a caçadores, agricultores e garimpeiros. “Dificilmente serão identificados e punidos”, dizia. Na ocasião, 30 bombeiros foram usados no combate, em apoio aos brigadistas de Ibicoara e Andaraí. Tinham apoio do helicóptero da Casa Militar do Governador, que em meio à ação retornava à capital para manutenção.
À própria sorte ficaram queimadas de Boninal e de outras localidades à margem da BR-242, a partir de Seabra – Serra da Gameleira, Queimada Nova e Serra do Carranca, nos municípios de Oliveira dos Brejinhos e Ipupiara –, onde a cada ano ocorrem centenas de focos de incêndio. Em janeiro de 2003, quando Mucugê registrava 10 km² de área queimada e apelava por ajuda do Estado, o brigadista Anderson Martins disse que a Brigada tinha apenas um carro, a 75 km.
Comissão – Em novembro de 2004, após 40 dias de fogo na região, foi criada a Comissão Estadual de Combate a Incêndios, cuja primeira reunião foi no Aeroporto Horácio de Matos (Lençóis). O diretor de Unidades de Conservação da Secretaria de Meio Ambiente (Semarh), Carlos Pamponet, disse que a comissão seria permanente. O representante do Ibama na Bahia, José Luís Maia, disse que a comissão contribuiria “para a implantação do Sistema Nacional de Meio Ambiente, o Sisnama”. Este ano, além das queimadas noticiadas, pelo menos na Serra do Carranca (Ipupiara) os focos já duram mais de 30 dias, sem que providências tenham sido adotadas.