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Indefinição prejudica festejos nas barracas

Fernanda Santa Rosa, do A Tarde
Por Fernanda Santa Rosa, do A Tarde

O Réveillon nas praias da orla marítima de Salvador está comprometido pelo segundo ano consecutivo. Com a manutenção do problema das barracas, cuja ação judicial se arrasta desde outubro do ano passado, a maioria dos comerciantes no trecho mais afetado – Amaralina a Piatã – não vai abrir para a celebração da chegada de 2008. A situação prejudica a população acostumada a festejar a virada nas areias da capital.

Apesar de a Justiça ter concedido prazo até o final do verão para implantar mudanças e também de ter havido avanço no visual das barracas – em novembro, algumas ganharam toldos –, os barraqueiros reclamam que não houve tempo para organizar a festa. “Não dá
para arrumar em 24 horas. É preciso, pelo menos, quatro meses”, reclama o presidente da Associação dos Comerciantes dos Barraqueiros de Praia da Orla Marítima de Salvador, Wérico Rodrigues.

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Segundo estimativas da associação, cerca de cinco mil empregos temporários deixam de ser gerados com a não-realização do evento nas barracas. “Vai ter festa mesmo só em Aleluia e Patamares, onde as barracas estão com melhor aspecto”, afirmou Rodrigues. Ele próprio desistiu da empreitada. “Não tenho como oferecer nenhum conforto para os clientes. Nem queima de fogos a prefeitura vai dar este ano”, lamentou.

Edson Santos, permissionário da Barraca Ed Praia, em Jaguaribe, é um dos poucos que resolveram arriscar e fez parceria com uma produtora de eventos para garantir a festa. “Não tinha dinheiro para bancar sozinho, porque o ano foi muito ruim”. Ele aposta no Réveillon, porque não sabe a decisão que a Justiça vai tomar. “Preciso lucrar o que puder para recomeçar, se for preciso”.

Na barraca com estrutura inacabada, ele vai improvisar na decoração para melhorar o aspecto do lugar e conquistar clientes. “Coloco umas palhas e deixo a comida semipronta para adiantar o serviço”. Cobrando R$ 60 pela mesa, Santos está apreensivo com o resultado: “Estou rezando para dar certo”.

PARCERIA – José Praxedes viu sua barraca demolida no mês passado pela prefeitura, mas vai juntar sua experiência à estrutura da barraca da filha, a 2V, em Piatã, para não deixar de lucrar. “O prejuízo foi de mais de 80% em 2007. Se a gente perde a chance de ganhar alguma coisa no verão, já era”, diz.

Os clientes acostumados a receber o Ano Novo à beira-mar, reclamam: “O que está acontecendo é uma afronta ao trabalhador e a população acaba perdendo”, comentou a banhista Léa Oliveira, 34 anos. “Esta situação desmotiva a gente até em dias normais, quanto mais em uma festa deste porte”, lamenta a atendente Vanusa Dias, 37 anos.

Os barraqueiros lembram com saudade quando investiam no Réveillon. “Não dá para apostar se a gente não sabe quanto tempo vai ficar aqui”, afirmou José Souza, 42 anos. Para Maria de Fátima Rodrigues, os colegas que decidiram abrir na noite da virada tiveram uma atitude corajosa, mas com poucas chances de sucesso. “Eles podem perder muito. Até porque não tem nenhuma segurança à noite”, destacou. A próxima audiência sobre as barracas da orla está marcada para o dia 17 de janeiro de 2008.

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