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Indústria de software na terra do dendê

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

Das 11 empresas estudadas pela Ufba, apenas uma exporta os seus produtos



CLÁUDIO BANDEIRA




A Bahia não é apenas a terra da muvuca e do dendê. Um crescente número de empresas baianas está utilizando programas para computadores produzidos pela indústria soteropolitana de softwares. Esta é a conclusão a que chegou o estudo A economia política do software: o caso de Salvador/BA, realizado pelo Grupo de Estudos de Economia Política da Informação, Cultura e Comunicação (Gepicc).



O trabalho foi desenvolvido por João Tiago Santos, graduando em arquivologia do Instituto de Ciência da Informação (ICI/Ufba), e Jussara Borges, mestranda em ciência da informação pelo ICI, tendo como orientador o professor Othon Jambeiro, PhD em comunicação pela Universidade de Westminster, no Reino Unido.



Segundo a Juceb (Junta Comercial do Estado da Bahia), um total de 267 empresas estava habilitado a exercer atividades de desenvolvimento e produção de softwares até dezembro de 2004. Deste número, 24 empresas encerraram as atividades e 243 permaneceram atuantes.



A maioria dos desenvolvedores desses programas passou a operar a partir da década de 90, usando capital privado. Apenas uma empresa havia iniciado atividades em 1989. “Constatamos que grande parte dos desenvolvedores soteropolitanos ainda se encontra em uma fase incipiente. São organizações novas, de médio porte, quando comparadas às empresas do sul e de outros países”, afirma.



A dificuldade de inserção em um mercado altamente competitivo é das mais complexas. Do ponto de vista industrial, os softwares podem ser horizontais ou verticais. Fazem parte do grupo dos softwares horizontais aplicativos genéricos, como editores de texto, planilhas, editores gráficos.



Já o software vertical relaciona-se com um tipo específico de usuário. “Para o seu desenvolvimento é necessário ter conhecimentos específicos do negócio do usuário, como, por exemplo, um sistema para gestão hoteleira”, diz João Tiago.



Segundo ele, o mercado mais complicado para ser acessado é o de programas horizontais, dominados por gigantes como a Microsoft e a Adobe. Esse mercado se sustenta no binômio volume alto de produção e baixo preço.



Isso explica a razão de a comercialização por empresas não americanas se concentrar nos softwares verticais, feitos sob encomenda, como ocorre com a indústria soteropolitana, a exemplo da Unitec, Telematic, ZTR e Netra, as quatro maiores, segundo a Sofitex (Sociedade para a Promoção da Excelência do Setor de Software Brasileiro). Essas organizações produzem pacotes destinados ao uso na internet e sob encomenda.



Segundo João Tiago, das 11 empresas pesquisadas, constatou-se que 65% não possuiam certificação que requer um elevado nível de investimentos de capital para se colocar em prática os projetos exigidos, ampliando as exportações.



Essa é a principal dificuldade para muitas dessas organizações adquirirem certificados, uma vez que o nível de negócios desses desenvolvedores não permite encarar o montante exigido para o investimento.



EXPORTAÇÃO – Do universo pesquisado, apenas uma empresa exportou para o exterior, área do Mercosul, entre 2002 e 2004. Do total de clientes das organizações que cederam seus cadastros para o estudo do Gepicc, em número de 177, 104 funcionam na capital baiana e 73 em outras regiões. “Embora a maioria dos clientes esteja em Salvador, mais de 40% deles são de outros Estados, o que indica “razoável nível de competitividade, pelo menos nacionalmente”.



O estudo, em sua conclusão, reconhece “a grande participação dos produtos dessa indústria no processo de desenvolvimento da sociedade da informação em Salvador”.



O autor da pesquisa sugere, como alternativa para a reversão do atual quadro, o desenvolvimento de políticas nacionais e regionais de incentivo à certificação, além da redução dos encargos fiscais. Segundo a Sofitex , os impostos que incidem sob o segmento, somados, representam mais de 40% da receita dessas empresas.

 

SAIBA MAIS



O QUE É SOFTWARE




O software é um conjunto de comandos escritos em linguagem específica que torna o hardware (microprocessador e outros circuitos eletrônicos) apto a realizar funções, como processar textos, fazer a contabilidade ou operar máquinas.

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