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Influenza A ainda é um mal desconhecido

George Brito e Valmar Hupsel Filho, do A TARDE
Por George Brito e Valmar Hupsel Filho, do A TARDE

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A expansão da gripe suína – agora chamada de Influenza A – no mundo não é motivo para pânico na Bahia, considera a epimiologista Maria Glória Teixeira, diretora do Instituto de Saúde Co letiva da Ufba. “Se entrar alguém infectado, a demanda não vai crescer geometricamente. Haverá tempo para fazer o isolamento dos pacientes. Não precisa alarde”, afirmou.

A opinião da especialista converge com a visão de Stefan Cunha, infectologista do Hospital Oswaldo Cruz (SP). Para ele, o mundo carece ainda de um maior detalhamento dos dados sobre a doença no México. “Temos que conhecer mais profundamente os casos de óbito já ocorridos para supor, por exemplo, se vai ocorrer uma pandemia em grande proporções mundiais ou não”, disse.

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Stefan também chama atenção para o que consideram um número baixo de mortes. “Trata-se de um vírus novo. Não conhecemos seu real poder de agressão. Acredito que, por enquanto, há um exagero nesta movimentação mundial. O vírus não tem mostrado uma morbidade grande”, afirmou.

No entanto, no México, onde surgiu a epidemia, as autoridades recomendaram à população da capital mexicana permanecer em casa até a próxima terça-feira. O medo da pandemia iminente espalha-se para outras cidades e países. A TARDE conversou com pessoas de alguns países atingidos: EUA, México, Nova Zelândia e Espanha.

“Aqui a situação em todos os lados está piorando, porque não há abastecimento de máscaras, e começaram a fechar igrejas, museus e centros recreativos”, contou o estudante mexicano Marco Antonio Gonzalez, 17 anos, morador da cidade de Saltillo, Estado de Coahuila, norte do México, na fronteira com os EUA, a 300 km da capital.

Também no México, moradores da cidade Águas Calientes, a 5h30 de carro da capital, estão usando máscaras e até luvas nas ruas. Lá, foram confirmadas três mortes. “A situação não está tão alarmante, levando-se em consideração que a cidade tem mais de 1 milhão de habitantes. Mas é muito mais fácil as coisas piorarem que melhorarem”, escreveu por e-mail a intercambista Bárbara Gerhardt, que só sai de casa de máscara.

Bárbara teme que, com um eventual agravamento da gripe pelo mundo, o Brasil feche os aeroportos para voos vindos do México. “Meu medo é que o Brasil pare de receber voos do México e eu não possa voltar quando precise, mais ou menos na metade de junho”, escreveu.

EUROPA – Na Espanha, o governo seguiu a União Europeia e não proibiu voos para o México ou vindos de lá, como na França. A estudante Verônica Valois, 22 anos, mora em Santiago de Compostela, a 601 km de Madri. A cidade está “tranquila”, mas uma professora vinda do México, conta, “foi convidada a não dar aulas” na faculdade.

A intercambista Helena Vieira está bem perto do Estado do Texas, onde foi confirmado o primeiro caso de morte dos EUA. Ela mora em St. Louis Park, Estado de Minnesota. A falta de informação precisa sobre o novo vírus a preocupa. “Como a gripe aviária, a gripe suína me deixa ansiosa, pois se trata de uma doença que não é bem conhecida”, escreveu por email.

Helena também está preocupada com o atendimento de saúde. “O intercambista vem coberto por plano de saúde em caso de emergência, mas necessita de autorização da empresa prestadora do serviço. O sistema de saúde aqui nos EUA é complicado e caro, pois não há saúde pública como no Brasil. Só nos resta nos mantermos informados e evitar regiões com casos confirmados”, frisou.

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