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Ipitanga, o bairro da água vermelha

Publicado sexta-feira, 11 de julho de 2008 às 23:48 h | Atualizado em 12/07/2008, 01:42 | Autor: Amélia Vieira, do A Tarde
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>>Urbanização aconteceu a partir da década de 1970


A palavra Ipitanga, que batiza o bairro litorâneo do município de Lauro de Freitas, é um nome híbrido de ameríndios, português e tupi, e tem duas possíveis origens, de acordo com artigo assinado pelo professor José Paranhos. Primeira: seria inspirado na cor da fruta pitanga, nativa da região. Segunda: significaria “água vermelha”, numa alusão à tonalidade avermelhada da água do Rio Ipitanga, resultado de um provável tingimento pelas raízes do subsolo.



Apesar de nominar um bairro, o termo ultrapassa os limites locais e tem uma força cultural e histórica em todo o município. E isso remonta ao próprio surgimento da comunidade, há 400 anos, uma das mais antigas do País. Com a chegada dos jesuítas vindos com os colonizadores portugueses, as aldeias indígenas instaladas no entorno do Rio Ipitanga foram transformadas em aldeias de catequese, e ali foi erguida a capela de Santo Amaro de Ipitanga, que, posteriormente, viria a ser a igreja matriz de mesmo nome, situada na praça central da cidade. Estava assim criada, em 1608, a Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga.



HOMENAGEM – Santo Amaro de Ipitanga, ou simplesmente Ipitanga, seria o nome natural para o município de Lauro de Freitas. Uma teia de acontecimentos, porém, fez com que o termo designasse somente um bairro. “É um erro histórico”, defende o historiador Gildásio Freitas, estudioso dedicado à história de Lauro de Freitas. Sua opinião está respaldada na história.



Após séculos de existência da comunidade de Santo Amaro de Ipitanga, quando da emancipação de Salvador, ocorrida em 31 de julho de 1962, o novo município foi, por sugestão de Paulo Moreira de Souza, vereador que encampou o desmembramento, chamado de Lauro de Freitas. Tratava-se de uma homenagem ao parlamentar constituinte (Constituição Federal de 1946), natural de Alagoinhas e com bastante influência política na época. Ele se notabilizou como diretor da Ferrovia Leste, importante meio de transporte de cargas e passageiros.



Em 1950, Lauro de Freitas se candidatou a governador da Bahia e era o favorito, conforme pesquisas de então. Seus planos, entretanto, foram ceifados brutalmente em 11 de setembro de 1950, às vésperas das eleições, quando um trágico acidente de avião o matou. Como é comum em catástrofes como esta, houve comoção popular, e muitos rumores surgiram. Entre eles, o de que a aeronave havia sido adulterada propositadamente pelo concorrente, Juracy Magalhães, que acabou derrotado no pleito por Régis Pacheco, vice de Lauro de Freitas e que o substituiu.



“Mediante esses boatos, em 1962, Juracy, que era o governador, ficou numa saia justa para negar a homenagem. Foi uma forma de mostrar que não havia ressentimento”, avalia Gildásio Freitas. “Considero que é um erro histórico porque ele não tinha relação com a cidade. E Ipitanga é um nome forte”, completa.



FAZENDAS – Essa força se evidencia após quatro décadas de emancipação do município. O clube recreativo mais antigo, o time de futebol, o Pólo Universitário Santo Amaro de Ipitanga, padarias, farmácias, lojas de material de construção e diversos outros empreendimentos recebem o nome de Ipitanga.



Ao tempo em que se desenrolava toda essa história, o local onde hoje está encravado o bairro de Ipitanga nada mais era que duas gigantescas fazendas. Uma delas, a Fazenda Paramoquara, ia da divisa das praias do Flamengo e Ipitanga até o lugar onde existe hoje o kartódromo. As terras pertenciam a Martiniano José da Silva Maia, nascido em 16 de outubro de 1854, na localidade de Vilas de Abrantes, filho do casal de portugueses Antônio José da Silva e Quintilana Soares dos Santos.



As terras compreendidas entre o Kartódromo Ayrton Senna e Villas do Atlântico compunham a Fazenda São João, de propriedade de Elza Paranhos, que faleceu há cerca de quatro anos, com mais de 90 anos de idade, conforme conta Gildásio Freitas. Ao lotear sua fazenda, Elza Paranhos principiou um modelo de urbanização com as características preservadas até hoje pelo bairro: formado por casas residenciais ou de veraneio.

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