Jovem apresenta denúncia contra abordagem policial

Publicado quinta-feira, 18 de junho de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 18/06/2020, 00:22 | Autor: Vitor Castro*

Os advogados de Gabriel Santos, jovem negro de 27 anos, preso suspeito de roubar um carro, mas solto no último domingo, 14, após uma liminar judicial, estiveram ontem na sede da corregedoria da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) para prestar denúncia contra a abordagem polici al. Segundo um dos advogados, ao chegarem ao órgão, as portas estavam fechadas e um aviso sinalizava que os atendimentos estariam sendo realizados por e-mail.

Ao Jornal A TARDE, a PM-BA informou que está atendendo presencialmente apenas casos excepcionais – como o do jovem – e que às 15:35 horas - horário posterior à ida dos advogados -,havia um oficial da Corporação aguardando a todos. O advogado que faz a defesa do rapaz, Alberto Mariano explicou que não tinha conhecimento sobre o fato de haver um oficial à espera deles. Por isso, como a denúncia não foi feita.

Mariano espera que seja apurado se houve irregularidade na atuação dos policiais. “Lá [a sede da corregedoria] está fechado e por isso não foi possível colher o depoimento dele. Ele [Gabriel] conta que quando foi abordado, foi agredido por PMs que estavam sem farda, aí é só para apurar como foi o fato, não está acusando ninguém, apenas para verificar se houve um abuso e excesso”, explicou.

Ao Jornal A TARDE a PM-BA informou que irá se posicionar após o fim da investigação. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) disse até então não há nenhuma irregularidade, e pontuou que “se existir algum tipo de ação irregular por parte da PM-BA ou da Polícia Civil, as corregedorias irão atuar e punir os envolvidos”. Entidades ligadas ao movimento negro também acompanham o caso que fará parte de um relatório encaminhado à Organização das Nações Unidades (ONU).

A mulher que teve o carro roubado na última quarta-feira, registrou o boletim de ocorrência (BO) na mesmo dia. Ela descreveu o assaltante como sendo magro pardo e com cerca de 1,70 de altura. A defesa de Gabriel pontua discordâncias no depoimento da mulher “Ele [Gabriel] é gordinho, tem mais de 1,80 e é negro. Na segunda- feira ela prestou outro depoimento e disse que foram três pessoas, um saiu com arma e o Gabriel era o carona e, mesmo assim, diz que reconhece Gabriel, mas ela diz que o carona, que supostamente seria o Gabriel, era pardo, mas Gabriel é negro. Além desta contradição, o marido dela diz que Gabriel foi ao encontro dele na Caixa Econômica mas Gabriel diz que em nenhum momento houve o encontro”, explicou Mariano. A reportagem de A TARDE não conseguiu o contato da vítima do roubo, queocorreu na Avenida Ulisses Guimarães, de Sussuarana.

O grupo Pretitudes tem dado apoio ao rapaz com acompanhamento psicológico. Segundo o Observatório de Justiça e Direitos Humanos, entidade legitimada pela ONU e que atua junto à Frente Nacional de Negros e Negras, Alex Cruz, o caso integrará um relatório que será entregue à Organização.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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