SALVADOR
Jovens negras ativistas de Salvador apontam caminhos para o futuro

Por Bruna Rocha, Cleber Arruda, Eduardo Machado e Joyce Melo | Agência Mural
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Injustiça social, racismo, falta de moradia, intolerância religiosa, machismo e feminicídio são alguns temas combatidos pelas ativistas Bruna Silva, 21 anos, Roseane Santos, 23 anos, e Beatriz Souza, 20 anos, que são assuntos constantes em discussões e vivências delas.
“A sociedade precisa entender que a juventude não quer só droga, prostituição e paredão. A juventude está engajada na luta social, na política, porque a gente já entendeu que esse país aqui não é o que a gente quer. Essa sociedade racista, machista, LGBTfóbica não é o que queremos”, diz a poetisa Bruna, moradora do subúrbio ferroviário.
A poetisa iniciou suas atividades na militância no Espaço Cultural Alagados, no bairro do Uruguai. “Minha trajetória começa quando conheço o Espaço Cultural Alagados e participo de rodas de conversa sobre questões raciais e sociais. Minhas experiências com o racismo, machismo e as diversas opressões me dão fôlego para escrever, como também a vivência dos meus amigos e familiares”, conta Bruna.
Importância
Para ela, a participação dos jovens negros das periferias na política é necessária para mudar desigualdades sociais. “A gente precisa entrar no debate político. O emprego não chega para gente, o ônibus demora a passar, enfim, é a gente que passa por isso, e por isso nos engajamos muito mais nessa luta social e política que a juventude branca”, diz.
Assim como Bruna, a universitária Beatriz Souza é outra jovem militante. Moradora do Nordeste de Amaralina, Beatriz atua no Odara Instituto da Mulher Negra, onde trabalha na área de comunicação e participa de um programa com jovens meninas negras no combate à Covid-19, na Bahia e em Pernambuco.
“A gente ensina e demonstra para elas a força que têm, como podem usar as redes sociais, como podem usar a comunidade, mostramos que elas têm voz. Então, tudo é pensado para que essas meninas consigam acessar esses direitos”, diz Beatriz, que participa de atividades do instituto desde 2016.
Para a ativista, o futuro terá mudanças significativas a partir da articulação e protagonismo dos jovens. "A juventude negra está construindo um espaço de poder e isso é muito real, porque esse espaço não será construído pelo Estado. O genocídio é um projeto de Estado que está correndo a todo vapor há mais de 500 anos nesse país”, avalia.
Levantamento
De acordo com o Atlas da Violência 2021, negros têm mais do que o dobro de chance de serem assassinados no Brasil, representam 77% das vítimas de assassinato no país em 2019.
Outra jovem que atua politicamente em seu bairro, o Jardim Cajazeiras, é a atriz e poeta Roseane Santos. A jovem, que na infância morava em uma ocupação, conta que começou sua trajetória na militância há cinco anos no Movimento Sem Teto da Bahia. “Viver a trajetória no movimento foi o pontapé que eu tive na militância. Isso me marcou”,
Atualmente, Rose faz parte do Coletivo Incomode, uma articulação que abrange outras organizações e debate questões sociais na região. “São temas como o encarceramento em massa, extermínio, o genocídio da juventude negra à violência policial, racismo, intolerância religiosa e o feminicídio”.
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