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Maior parte dos PMs presos é acusada de homicídio

Publicado domingo, 23 de setembro de 2007 às 20:22 h | Atualizado em 23/09/2007, 20:22 | Autor: HELGA CIRINO, do A Tarde
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Dos 48 Policiais Militares presos no Batalhão de Choque, 34 (66,6%) são acusados de homicídio. Isso sem falar dos chamados autos de resistências à prisão, supostas trocas de tiros entre policiais e acusados de crimes. A maioria das ocorrências nas delegacias de bairro se limitam a três linhas, com a apresentação de uma arma pelos policiais envolvidos nos fatos.

De janeiro de 2002 a julho de 2007, o Centro de Documentação e Estatística Policial (Cedep) registrou 475 autos de resistências envolvendo policiais militares e civis. E os números aumentaram no ano de 2006, se comparado aos dois anteriores, chegando a atingir 19 casos a mais que 2005 e 2004.

Um deles foi flagrado por A TARDE no dia 10 de abril deste ano. Quem passava, por volta das 10 horas, pela Avenida Suburbana, bairro de Lobato, se deparou com uma cena chocante. Após o barulho de disparos em uma localidade conhecida como “beco do corre-corre se não morre”, e pedidos de socorro, quem se aproximou pôde testemunhar dois jovens baleados, ensangüentados, e aparentemente sem vida, sendo jogados no porta-malas de uma viatura.

O carro da PM ainda ficou ali, por alguns minutos, chamando a atenção de transeuntes, até o comandante da operação, ao avistar a reportagem de A TARDE, ordenar que os colegas socorressem imediatamente os dois jovens, que ainda estariam “vivos”.

Arquivo morto – Conseguir testemunhas dispostas a denunciar é a principal dificuldade das Corregedorias da Polícia Civil e da PM. De acordo com a delegada Regina Célia Sampaio, corregedora da Polícia Civil, muitas vítimas e testemunhas retornam à corregedoria alegando terem prestado queixa em momentos de raiva.

“Sabemos que o que as trazem de volta à delegacia é o temor de sofrerem represálias, mas infelizmente não podemos assegurar a integridade dessas pessoas”, lamentou a corregedora. A delegada acredita que, com  a implantação do Serviço de Investigação (SI) na corregedoria, a dificuldade com as testemunhas seja minimizada. “Acreditamos que em breve ela estará implantada”.

Regina explicou que, das mais de 800 apurações, que os 19 delegados se esforçam a dar conta, as mais comuns são as de abuso de autoridade, acusações de suborno, invasão de domicílio e homicídios. Atualmente, há sete policiais civis na carceragem da Corregedoria da Polícia Civil, aguardando julgamento por infrações.

A delegada Regina Sampoio explicou que, em paralelo ao projeto de implantar o SI, a corregedoria da Civil está executando o projeto de correição da atividade.

“Equipes de delegados vão às unidades, verificam os inquéritos e a formalização deles. Uma equipe de delegadas foi à uma delegacia em Feira e formalizou e encaminhou à Justiça 120 inquéritos. O trabalho foi muito animador”, analisou a delegada.

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