SALVADOR
Moradores do Rio Vermelho denunciam falta de drenagem para evitar alagamentos


Após as fortes chuvas que atingiram o bairro do Rio Vermelho nos últimos dias, moradores e comerciantes do local denunciam problemas relacionados à infraestrutura da região, sobretudo a falta de drenagem e escoamento da água. Segundo eles, embora o local tenha passado por obras de requalificação pela Prefeitura, os transtornos permanecem em períodos chuvosos, como os alagamentos registrados na sexta-feira, 22.
O Largo da Mariquita foi o principal local atingido no bairro. As águas passavam de forma intensa e alguns carros ficaram parcialmente submersos diante a grande quantidade de água no local.
Para Eloísa Cabral, participante do Conselho Comunitário Social e de Segurança do Rio Vermelho e Ondina, o problema é causada pela falta de escoamento da água. "Nosso bairro está precisando de uma boa drenagem. Moramos em uma cidade praieira e o Rio Vermelho fica muito próximo do mar. Se não houver escoamento, a água poluída que chega ao bairro retornará ao mar".
De acordo com Tereza Paim, chefe de cozinha do Restaurante Casa de Tereza, o problema não é recente. “O estabelecimento está no Rio Vermelho há 9 anos e sempre que chove dessa maneira - o que ocorre de duas a três vezes por ano - o nosso porão enche de água. Após a obra da Prefeitura, passou a encher menos. Quando há chuva com menos intensidade, isso não acontece”, explica.
Tereza também avalia que a situação não deve ser responsabilidade apenas dos órgãos públicos, mas partir de atitudes tomadas em conjunto pela Prefeitura e os moradores e frequentadores do bairro. “Os bueiros ficam obstruídos com tampas de garrafa que são jogadas por quem frequenta os bares e sem a fiscalização dos donos. É uma questão da sociedade também. Não é só a Prefeitura que deve cuidar disso, mas a comunidade também precisa jogar os lixos nos devidos lugares”.
“Tem um rio aqui no bairro que está abandonado, ele foi tapado durante as obras do Bahia Azul e precisa de atenção. O duto é pequeno demais, o que é um dos motivos do transtorno”, conclui.
Para o presidente da Associação Nossa Rua Monte Conselho, José Carlos, a situação é resultante de uma das obras que ocorreram no bairro. "As obras na Vila Caramuru intensificaram isso [as inundações] na orla em si, na verdade. Muita gente ficou ilhado. Mais de mil pessoas, fora os hóspedes nos hotéis", explica.
Em nota enviada ao A TARDE, a Prefeitura de Salvador esclareceu que a obra conta com um sistema de drenagem, que possibilitou o escoamento da água após os alagamentos. "É importante ressaltar que, após as chuvas diminuírem, as águas nas ruas e avenidas baixaram rapidamente, o que demonstra que o trabalho preventivo de limpeza do sistema de drenagem funcionou. O problema é que choveu intensamente em curto espaço de tempo, o que provocou alagamentos em alguns trechos. Apesar disso, o número de ocorrências foi de apenas 32 durante a madrugada", diz o comunicado.

Balanço de ocorrências em Salvador
Do final da noite de sexta até a manhã deste sábado, 23, foram registradas em Salvador 32 ocorrências pela Defesa Civil. Dentre elas, foram dois alagamentos de área, 14 alagamentos de imóveis, 3 ameaça de desabamento, 2 ameaças de deslizamento, uma árvore caída, uma avaliação de imóvel alagado, quadro desabamentos de muro, dois desabamentos parciais e três deslizamentos de terra. Não houve registros de feridos.
Já neste domingo, 24, até o momento foram registrados 35 ocorrências: 3 alagamentos de imóveis, 5 ameaças de desabamento, 3 ameaças de deslizamento, 1 árvore com possibilidade de queda e 1 caída, 3 avaliações de imóveis alagados, 2 desabamentos de muro, 2 desabamentos parciais, 8 deslizamentos de terra, 1 infiltração e 6 orientações técnicas.
A previsão do tempo para este domingo é de possibilidade de chuvas moderadas. A Codesal funciona sob plantão de 24h e pode ser acionada através do telefone 199.