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Mortes por atropelamento crescem 23% em 2006

Publicado segunda-feira, 20 de novembro de 2006 às 15:39 h | Atualizado em 20/11/2006, 15:39 | Autor: Thiago Fernandes
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O número de mortes por atropelamento em Salvador aumentou 23% no período de janeiro a outubro de 2006, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 123 casos, contra 100 vítimas fatais em 2005. O aumento aconteceu mesmo com a diminuição do número de acidentes, que caiu de 1.645 para 1.503 nesses 10 meses. Esses números confirmam a cidade como uma das mais perigosas do Brasil para quem se desloca a pé, com uma média histórica de 5,4 atropelos para cada grupo de 100 mil habitantes, que se mantém desde 2004. As informações são da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET).



O índice apresentado na capital baiana é semelhante ao de São Paulo, com 5,5 atropelos no mesmo período. A capital paulista, no entanto, tem uma quantidade proporcional de veículos maior. Enquanto em São Paulo há um carro para cada dois habitantes -são 5,6 milhões de veículos para 12 milhões de pessoas-, em Salvador a média é de um carro para cada cinco pessoas - são cerca de 500 mil carros e 2,5 milhões de habitantes, de acordo com dados dos departamentos de trânsito da Bahia e de São Paulo.



Para o arquiteto e urbanista Armando Branco, o quadro é decorrente de uma ocupação da cidade que sempre privilegiou o automóvel em lugar de quem anda a pé ou usa o transporte coletivo. "O que vemos é que a construção de calçadas não é uma prioridade, quando comparada com a recuperação do calçamento das ruas. Com isso, o pedestre muitas vezes tem que andar pela rua, disputando espaço com os carros". Os exemplos de exclusão do pedestre podem ser vistos por toda a cidade, mesmo em bairros nobres. "A única avenida de Salvador que foi construída com foco no pedestre foi a Manoel Dias [Pituba]. Todas as outras priorizam os veículos, principalmente os particulares".



A situação é agravada pela má educação dos motoristas de Salvador. Para o taxista Pedro Nascimento, que dirige profissionalmente há 10 anos, o alto índice de atropelamentos na cidade se deve tanto ao hábito baiano de andar pelo meio da rua quanto ao desrespeito da maior parte dos motoristas às leis de trânsito. "Aqui você não vê ninguém dar vez ao outro, seja pedestre, motociclista ou mesmo outro carro. Todo mundo só quer se dar bem", diz.



O empresário Carlos de Jesus, que dirige diariamente na região do Iguatemi, concorda que o maior problema do trânsito em Salvador é a má educação dos motoristas. "Aqui, se alguém pára numa faixa sem sinaleira, já vem outro atrás buzinando. É só o carro que pode ter vez", diz. Ele acredita que a solução para a disputa entre carros e pedestres passa pela construção de mais passarelas e o reordenamento dos semáforos da cidade. "Existem muitos sinais que você não sabe qual é a função, enquanto em outros lugares, a pessoa tem que atravessar a rua correndo porque não tem a sinaleira para dar segurança na travessia".



Campanha - Diante desse quadro, a SET trabalha na finalização de uma campanha educativa para incentivar o respeito à preferência do pedestre em travessias nas faixas, mesmo nos locais onde não há semáforo.



A superintendente interina da SET, Socorro Fialho, explica que o objetivo da campanha é criar o hábito de as pessoas sinalizarem para os veículos indicando o desejo de atravessar a rua, e que essa conduta seja respeitada pelos condutores. “Vamos utilizar experiências bem-sucedidas de outras cidades, como Brasília, e adaptar à realidade de Salvador", diz.



Entre as ações previstas está também o maior rigor da fiscalização quanto ao respeito às faixas de trânsito e a prioridade ao pedestre. "O importante é fazer as pessoas perceberem que a preferência no trânsito tem que ser sempre de quem está a pé e não dos carros", diz. Segundo ela, ainda não há uma data para o lançamento da campanha, mas que deverá ser implantada até o final do ano.



A campanha integra o programa "Trânsito para a Vida" e, de acordo com Socorro, vai envolver não só motoristas, pedestres e agentes de trânsito, mas também outros setores da sociedade, como empresas de engenharia de tráfego, clínicas de ortopedia, hospitais e outras entidades que atuam na área.



Para o comerciante Gilberto Santos da Silva, que anda diariamente a pé pela cidade, a iniciativa vem em boa hora. "Só com maior fiscalização para os motoristas darem preferência ao pedestre", diz. Ele afirma ter muita dificuldade para andar a pé por Salvador e que já chegou a ficar mais de dez minutos à espera de uma oportunidade para atravessar avenidas movimentadas.



Já a estudante de administração Andréia Oliveira vê a medida com ressalvas. "A idéia é boa, mas a implementação é complicada", pensa. "Nas avenidas com grande fluxo de pedestres, pode causar mais engarrafamentos com os carros parando a toda hora". Para ela, é necessário concentrar as ações de fiscalização também nos pedestres que não respeitam a sinalização. "Aqui é muito comum as pessoas atravessarem a rua sem esperar o sinal verde ou fora da faixa. A cobrança tem que ser dos dois lados".

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