Mulheres "rifadas" em Salvador eram premiadas ao convidar jovens para o esquema

Publicado quinta-feira, 02 de setembro de 2021 às 13:12 h | Atualizado em 02/09/2021, 13:15 | Autor: Da Redação

As mulheres que eram "rifadas" em uma mansão que funcionava como casa de prostituição no bairro do Itaigara, em Salvador, eram convidadas a fazer parte do esquema de encontros sexuais através do Instagram por outras garotas de programa. O local foi alvo de uma ação policial na manhã desta quinta-feira, 2.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), Simone Coutinho, para cada nova jovem que aceitava a proposta, as intermediadoras recebiam uma comissão de R$50.

"As pessoas que foram ouvidas disseram que eram estimuladas a trazer novas garotas para aquele local e que seriam premiadas, cada uma com R$ 50, por cada nova garota", falou a delegada.

A polícia foi acionada após a denúncia de que existia exploração sexual infanto-juvenil, no entanto, não foram encontradas menores no local, mas a hipótese ainda não foi descartada. A operadora do esquema foi presa pelo Dercca.

“Havia seis garotas de programa, além de funcionários, todos jovens, porém maiores de idade [...] Elas se hospedavam lá, pagavam pela hospedagem, o que também demonstra a exploração. As garotas ficavam com menos de 50% do valor dos programas, a outra parte era para o pagamento das refeições e estadia”, explicou a delegada.

De acordo com a delegada, na mansão, a polícia encontrou duas garotas de Manaus (AM), duas de Recife (PE) e duas de Salvador. Em média, cada uma delas fazia quatro programas por dia.

"A gente espera que a população denuncie, porque a gente não pode achar que é normal a rifa de pessoas, rifa de mulheres. A sociedade precisa parar e refletir sobre isso", disse Simone Moutinho.

No local, foram encontradas R$ 32 mil, 100 euros, 277 dólares e folhas de cheque. Além de Maquinetas de cartão de crédito, cadernos com anotações e documentos das garotas de programas. A mulher presa, que administrava o local, já passou por exames, e está à disposição da Justiça.

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