SALVADOR
Mussurunga ainda guarda ar de cidade do interior
Morar na capital, numa localidade que tem um certo ar de interior, é a aspiração de muita gente. Este é o perfil de Mussurunga na visão dos seus moradores. E, fazendo justiça a esta característica, a reclamação da maioria deles é um problema típico das cidades pequenas: a falta de maiores opções comerciais. Mercadinhos, farmácias e padarias já são insuficientes para atender às demandas da população.
“O supermercado maior daqui fecha às 20h30. Farmácia, a partir de 22 horas não dá para achar. O jeito é ir para São Cristóvão”, reclama a baiana de acarajé Ana Paula Silva, 31 anos.
Uma volta pelo bairro, que teve ampliados os seus setores, nomeados a partir das letras do alfabeto, mostra a predominância das unidades residenciais. Já se fala, inclusive, em Mussurunga I e Mussurunga II, embora a divisão não seja tão explícita.
Mas o ar de interior é dado pelas construções de casas amplas que já foram padrão no início do bairro, na segunda metade da década de 70, mas agora têm modelos diversos. O público atraído, na época, foi o formado por funcionários públicos, professores, policiais. Hoje, o perfil dos moradores é bem mais diversificado.
Se a característica residencial tem apresentado a busca de maior comodidade, há também evidência de que falta maior atenção do poder público: as vias locais, por exemplo, já estão tomadas por buracos.
Mudanças – Em relação ao lazer, o Setor I está ganhando uma praça. Será a segunda no bairro, que vai se somar à construída no Setor A. As carências de infra-estrutura acabam, por vezes, deixando a impressão de que o bairro parou no quesito desenvolvimento.
“Mussurunga não cresce. O que tem aumentado é o seu entorno, com as invasões, o que acaba também comprometendo a questão da segurança”, acrescenta o encanador industrial Vítor de Jesus, 52 anos, que mora no bairro há 26 anos. Mas a predominância é mesmo das queixas em relação à falta de uma melhor estrutura comercial. Esta é a avaliação da contadora Lindiane Soares, 30 anos.
“A gente não conta sequer com uma agência bancária. Em relação a lazer, então, não se fala. Tirando a praça que está sendo construída no Setor I, não há nada para se fazer aqui”, destaca.
Sem muito o que se encontrar em relação a comércio, a saída para a maioria dos moradores é se deslocar até São Cristóvão, o bairro vizinho. Na contramão de quem mora em outros bairros considerados residenciais, como o Caminho das Árvores, muitos dos que residem em Mussurunga gostariam de ver um aumento das unidades comerciais.
As que existem se concentram, principalmente, na Praça Severiano, o nome oficial da conhecida e movimentada Praça da Feirinha. No local, é possível se encontrar variedade de frutas e legumes, principalmente. O movimento no local não tem dia de descanso. O funcionamento é ininterrupto, de domingo a domingo.
É em função da feira que se organiza a oferta de serviços do bairro – mercadinhos, farmácias, algumas clínicas médicas e uma loja da Cesta do Povo. Embora pequena, a feirinha atrai gente também de outros bairros, que vão para lá trabalhar. É o caso de Joseval Machado, 38 anos, que mora em São Cristóvão e atua na feira fazendo carreto. “É bem movimentado aqui de domingo a domingo. Não dá para parar”, acrescenta.
Energia – Se São Cristóvão costuma ser o destino dos moradores do bairro para a busca da oferta de serviços comerciais, curiosamente é em Mussurunga que fica a subestação de energia que leva o nome da localidade vizinha.
A Subestação de Energia Elétrica São Cristóvão,gerenciada pela Coelba, começou a funcionar em 1981. Isso por conta da previsão de aumento da demanda, afinal a Avenida Luiz Viana Filho, mais conhecida como Paralela, tinha sido recém-inaugurada.
A nova subestação veio substituir a carga gerada pelas subestações de Matatu e CIA I. Atualmente, segundo a assessoria de comunicação da Coelba, a unidade atende mais de 127 mil consumidores. Outra curiosidade sobre a subestação é que ela é a responsável pelo atendimento de energia do aeroporto de Salvador.
Além de Mussurunga, as outras localidades beneficiadas são os bairros de São Cristóvão, Fazenda Grande, Jardim Esperança, Cajazeiras 5, 8, 9 e 10, Piatã, Placafor, Itapuã, Nova Brasília, Stella Maris, Praias do Flamengo e Itinga, que pertence ao município de Lauro de Freitas. Por sua importância estratégica, até o início do próximo ano, segundo a assessoria da Coelba, a subestação vai ter ampliada a sua capacidade produtiva.
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