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SALVADOR

Novos Alagados, saídos das águas para a terra firme

Por George Brito, do A Tarde

08/08/2008 - 22:50 h

Em 6 de dezembro de 1985, a pernambucana Maria José da Conceição, 51 anos, chegou sozinha a Salvador, comprou, por 135 cruzeiros, algumas tábuas de madeira e montou seu pequeno barraco sobre águas enlameadas que margeiam a Avenida Afrânio Peixoto, a Suburbana. Surgia ali mais uma palafita.

No ano seguinte, o compositor Herbert Vianna incluiu, em canção de denúncia social, a nova morada de Maria José na lista de lugares simbólicos da pobreza no mundo: “Alagados/ Trenchtown/ Favela da Maré/ A esperança não vem do mar...”

Vinte e três anos depois, a Trenchtown (favela jamaicana onde nasceram astros do reggae, como Bob Marley e Peter Tosh) e a Favela da Maré (RJ) baiana migrou, junto com a pobreza, de cima das águas para a terra firme.

Na verdade, o processo de erradicação das palafitas e aterramento da área foi iniciado em 19 de dezembro de 1992, quando o então cardeal D. Lucas Moreira Neves e o embaixador da Itália Paolo Torony visitaram a comunidade Beira Mangue, abalada por um surto de cólera.

Beira Mangue era como se conhecia até então a localidade de Novos Alagados, surgida após a primeira Alagados – nas imediações do Uruguai e Itapagipe – ter sido desmanchada entre o final dos anos 70 e início dos 80, com a construção da Suburbana.

Com a visita, criou-se o projeto de Recuperação de Novos Alagados, cujos moradores já lutavam por melhores condições de vida desde 1974. Eram milhares de pessoas em condições precárias, flutuando em barracos apoiados por estacas, as famosas palafitas.

Hoje, há mais de 25 mil habitantes em Novos Alagados e arredores – comunidades como Araçás e Boiadeiro –, segundo a associação de moradores Sociedade 1º Maio. Pessoas que moram em pequenas casas vindas com a evolução do projeto de urbanização, em 2001, através de uma parceria entre Banco Mundial, governo da Bahia, rede Aliança de Cidades e o governo italiano.

Odor - Se os inúmeros barracos sobre as águas ficaram registrados em arquivos fotográficos, o odor fétido das águas permanece. “Quando chove muito, a água invade algumas casas”, diz Maria José. “A rede de esgoto vive entupida”, reclama Roberto Pinto Ribeiro, pescador de 52 anos, que mora ali há 30. Outro problema é falta de segurança, aponta o também pescador Benilton dos Santos Abade, 38 anos.

Mesmo com estes problemas, os moradores de Novos Alagados reconhecem que a situação hoje é melhor. Benilton, por exemplo, não pode negar. Nas duas pernas, exibe as marcas de quem vivenciou o que era habitar em palafitas. Não foram uma ou duas vezes que um pedaço de madeira lascou sua “canela”, quando transitava pelas pontes frágeis de madeira, que, acima da água, davam acesso ao lar.

As pernas de Bárbara Benedito Santos, 29 anos, também exibem cicatrizes. “Não tenho boas recordações”, diz a cabeleireira sobre sua infância sobre as palafitas. Ela ainda mora no mesmo barraco em que cresceu. A única diferença é que hoje ele está em terra firme. Mas a água ainda invade seu lar quando a maré sobe. Ainda vivem alagados...

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