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APRENDIZ

Os desafios da paternidade em uma idade mais avançada

Respeito e empatia fazem diferença nas experiências de pais mais velhos e filhos mais novos, diz psicóloga

Priscila Dórea

Por Priscila Dórea

14/08/2022 - 6:00 h

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Engenheiro e musicista,  Ricardo  tem 71 anos e  vive uma experiência diferente com os filhos bem mais jovens
Engenheiro e musicista, Ricardo tem 71 anos e vive uma experiência diferente com os filhos bem mais jovens -

Não há idade para ser pai, mas ‘ser pai’ pode ser muito diferente a depender da idade - e da fase! - em que a pessoa se encontra. “Nunca deixei de participar da vida ou estar perto das minhas filhas mais velhas, mas com os meus filhos mais novos me senti mais seguro e focado no crescimento deles”, explica o engenheiro, musicista, cantor e compositor de 71 anos, Ricardo Augusto de Mello, pai de Thaíra (45), Ana Clara (34), Augusto (22) e Francisco (14). Quando jovem, tanto a pouca idade quanto a diferença de interesses entre suas parceiras e ele contribuíram para que o músico vivesse a paternidade de uma forma muito diferente da que vive hoje, com os filhos mais novos.

“Quando conheci Adriana, minha atual esposa, me aquietei. Ela me levou até a família dela e então começamos a nossa. Foi uma experiência diferente porque o relacionamento em si foi diferente dos meus anteriores, pois estávamos centrados em criar uma família como casal. Fui presente na criação de Thaíra e Ana Clara, e elas são constantes em minha vida hoje. Augusto é meu HD externo, me ajuda em tudo e trabalha comigo na empresa de engenharia, meu estagiário, já Chico é a figura mais doce do universo. Estou compondo uma música para ele, já tenho a letra, mas ele não sabia disso, agora sabe”, confidenciou Ricardo Augusto, que hoje divide seu tempo entre a família, a empresa de engenharia, e a composição e produção de suas músicas.

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Francisco (ou Chico), o caçula de 14 anos, conta que uma das melhores coisas que esse ‘conflito de gerações’ lhe rendeu foi o gosto musical. “Por ele ser muito mais velho apresenta muitas músicas antigas para mim e meu irmão. Hoje, as músicas que mais ouço são dos anos 50 para baixo. Por ele já ter mais de 70 anos rola muitas conversas sobre o tanto de coisa que já viveu, como a época em que tocava com Luiz Gonzaga em Santo Antônio, quando saiu andando da Ondina até o Vieira bebendo cachaça ou quando fez o vestibular de ressaca. Mas conselho amoroso é um negócio ruim, bem ruim! Ele fala coisas da época dele que simplesmente não existem mais porque naquele tempo andar de mão dada já era namoro, enquanto hoje nem beijar na boca é. Então, essa parte não funciona bem”, explica risonho.

E são justamente essas trocas na relação de pais mais velhos e filhos muito jovens que trazem compreensão entre eles, explica a psicóloga infantil Carolina Cardoso da Glória. “Assim como o respeito e empatia para com o outro, fatores importantes na construção das relações. Dessa forma, a partir do momento em que eles entrarem em contato com esses aspectos que causam estranheza há possibilidade de reflexões e mudanças, ponderando qual o melhor manejo a ser utilizado nos próximos desafios e experiências que a paternidade promove”.

Para o policial militar de 58 anos, José Marcelo Santos Adães, pai de Maiana (38), Marcel (28), Marcelo (11) e Michel (8) - além de avô da Maria Clara (11), Giovanna (9) e Giulia (8) -, ter filhos tão jovens é muito gratificante, pois a relação deles é firmada no aprendizado mútuo. Um bom exemplo disso aconteceu recentemente quando o seu filho Marcelo pediu para entrar numa escola de futebol. “Fiz questão de eu mesmo ensinar pra ele e o irmão tudo que aprendi e ensinei para meu filho mais velho. Mesmo depois dos 50 anos ainda tenho habilidade para ensinar e praticar junto com eles o que sei. Eles gostaram muito de me ver fazendo chutes a gol, laterais e dribles. São situações assim que ajudam a superar essa diferença entre gerações”, explica.

Ser pai outra vez depois de tantos anos tornou-se uma oportunidade de ser mais paciente, tolerante e seguro em relação ao tratamento e à convivência diária com os filhos, afirma José Marcelo. “Além de, claro, ter mais certeza nas decisões com relação ao futuro deles do que tinha há quase quarenta anos atrás, pois fui pai pela primeira vez ainda muito jovem. Já as minhas netas, que são da mesma faixa etária dos mais novos, trato da mesma forma que meus filhos, mas como avô é pai duas vezes, na hora das brincadeiras o avô babão também aparece”, conta.

Aprendizado

E pai de 1ª viagem, independente da idade, apanha dobrado, afirma o biólogo e professor da Escola Bahiana de Medicina de 55 anos, Geraldo Argolo Ferraro, pai do Guilherme, de 13. “Quando ele era bebê e criança, era só correria e eu vivia com crises de coluna. A verdade é que é preciso ter um bom condicionamento físico e psicológico para ser pai. Mas a gente sempre foi muito ligado, vi o 1º suspiro, dei o 1º banho e foi lindo. Ficamos tão ligados que passei a fazer quase tudo, inclusive ia almoçar em casa só para dar banho nele, fazia a comida e dava leite de colherinha durante a noite”, lembra.

O aprendizado trazido pela paternidade é algo transcendental, explica Geraldo que ainda diz que raramente se dá conta de quão jovem Guilherme é. Em parte porque o filho é extremamente colaborativo, mas também por eles sempre discutirem e falarem sobre quase tudo, sem reservas, usando a política do ‘melhor argumento’ em caso de impasses. Desde que o filho chegou, afirma o pai, ele passou a se amar mais e cuidar mais da própria saúde, pois o filho ainda vai precisar dele por muitos anos.

“Não existe a opção de sair de cena. Filhos são como diamantes, feitos de carbono e pra sempre, porém com mais brilho. Passei a enxergar a partir dos olhos dele cores que eu nem sonhava que existiam e ao ensinar, aprendemos muito mais. Minha mãe me ensinou quase tudo que sei e ela é uma educadora fantástica, que sempre diz que criar pessoas exige muita energia, amor e paciência. Sei que ainda temos muito a aprender, mas hoje me sinto uma pessoa muito melhor”, afirma o professor.

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