SALVADOR
Paciente amarga à espera de atendimento

“Emergências lotadas, sem previsão de atendimento”. Este é o aviso encontrado em pelo menos cinco dos dez hospitais particulares de Salvador os quais A TARDE visitou entre as últimas terça e quinta-feira. Com as unidades de emergência rotineiramente lotadas, os beneficiários de planos de saúde amargam a espera de atendimento e, muitas vezes, voltam para casa e se automedicam, pondo a saúde em risco.
Os hospitais visitados foram o Salvador, Espanhol, Português, Santa Izabel, Evangélico da Bahia, São Rafael, Aeroporto, Aliança Jorge Valente e Hospital da Cidade. Desses, apenas o Salvador estava com o atendimento normal. O problema é classificado pelo presidente do Conselho Regional de Medicina da Bahia, Jorge Cerqueira, como “um colapso no sistema de saúde particular”.
Segundo ele, o fator que agrava a atual situação das emergências hospitalares é a falta de pessoal. “A questão primordial é a falta de material humano e de leitos. É uma situação gravíssima. Não há uma remuneração devida e tampouco estímulo para o investimento em mais leitos e mais ambulatórios”, afirma Cerqueira.
O presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia (AHSEB), Marcelo Brito, explica que os hospitais estão sem condições de aumentar número de leitos, ambulatoriais e de material humano por falta de recursos e de reajustes na remuneração das operadoras de saúde aos hospitais. “A tabela negociada há vários anos não sofre reajuste. Posso citar o caso da Sul América, que há seis anos não reajusta o repasse, mas reajusta seus usuários e o retroativo acumulado”, informa.
Resposta – A presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar, (Fenasaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes, rebate as afirmações de que a falta de recursos dos hospitais é também proveniente do não-reajuste de remuneração das operadoras. Segundo ela, há anualmente reajuste nos valores de materiais e medicamentos que os hospitais repassam e a despesa médica hospitalar vem crescendo significativamente a cada ano. “O que acontece é que as diárias e taxas em algumas situações ficaram com o preço mais achatado. Mas, efetivamente, não está havendo falta de recursos aos hospitais”, alega.
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