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Pacientes hospitalizados no País são mal avaliados

Fabiana Mascarenhas, do A TARDE
Por Fabiana Mascarenhas, do A TARDE
| Atualizada em

Ela é a principal causa de morte súbita em hospitais e mais freqüente que muitas doenças conhecidas da população, mas ainda é subestimada no Brasil. O tromboembolismo venoso é um termo usado para descrever a formação de um coágulo sanguíneo que bloqueia a veia. Também chamado de TEV, o problema pode ocorrer em qualquer parte do sistema venoso, mas as manifestações mais comuns são em veias profundas, geralmente na perna, e embolismo pulmonar, muitas vezes fatal.

Um estudo divulgado no Brasil na última terça-feira e publicado na revista científica Lancet confirmou os riscos a que os pacientes hospitalizados estão expostos. Denominado de Endorse (Dia Internacional Epidemiológico para Avaliação de Pacientes sob Risco de Tromboembolismo Venoso em Unidade de Terapia Intensiva Hospitalar), o estudo foi realizado em 32 países e constatou que que a maioria dos pacientes clínicos e cirúrgicos hospitalizados tem risco de desenvolver o tromboembolismo venoso, mas apenas metade recebe prevenção necessária.

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O trabalho – coordenado pelo Centro de Resultados de Pesquisa (CRP) da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts – foi realizado com mais de 60 mil pacientes clínicos e cirúrgicos de hospitais públicos e privados. No geral, 52% dos pacientes têm fatores de risco para desenvolver o TEV, o que corresponde a 64% dos cirúrgicos e 42% dos clínicos. Um outro problema é a ausência de medidas para a prevenção, recomendada apenas para 50% dos pacientes em risco – 59% dos cirúrgicos e 40% dos pacientes clínicos.

“O problema é comum entre pacientes hospitalizados devido a grandes cirurgias ou por doenças clínicas graves, principalmente aqueles que precisam ficar imobilizados por um determinado período. Isso dificulta a circulação, o que ajuda no desenvolvimento do problema”, explica a coordenadora do estudo no Brasil, a médica do serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas (Hospital Universitário Professor Edgard Santos) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Ana Thereza Rocha.

No caso da cirurgia ortopédica, por exemplo, se nenhuma medida de prevenção for tomada, o risco de trombose venosa profunda varia em torno de 50% a 80% dos casos. A especialista alerta, no entanto, que é um equívoco pensar que o tromboembolismo venoso é freqüente apenas em pacientes que passaram por cirurgia de grande porte ou ficam imobilizados por períodos mais longos, pós-fraturas e acidentes, por exemplo.

Quase 20% dos casos de pacientes que apresentam trombose venosa fora do contexto cirúrgico são decorrência de um infarto agudo do miocárdio ou insuficiência cardíaca. “Apesar de estes serem os perfis básicos das vítimas do TEV, a doença pode ser causada por uma série de fatores, combinados ou não, como câncer, acidente vascular cerebral (AVC), uso de medicamentos contraceptivos orais, presença de varizes e uma série de outros distúrbios”, explica.

Diagnóstico – O TEV apresenta, em muitos casos, natureza silenciosa e é difícil de ser diagnosticado. Calcula-se que cerca de 80% dos casos de trombose, por exemplo, não apresentam sintomas, sendo diagnosticados apenas por exames específicos. Estudos mostram, inclusive, que a doença pode ocorrer como uma causa secundária de um outro problema de saúde pelo qual o paciente foi hospitalizado.

Ana Thereza explica que o tromboembolismo venoso é um bloqueio do fluxo de sangue dentro de um vaso sanguíneo por um coágulo ou trombo que apresenta duas manifestações distintas: a trombose venosa profunda que ocorre quando surge a formação do coágulo na veia da perna, coxa ou pelve e a sua maior complicação, a embolia pulmonar, muitas vezes fatal (ver infografia).

“Todo paciente que estiver sob o risco de trombose venosa profunda tem chances de ter embolia pulmonar. Ela surge quando o coágulo se desprende da perna, cai na circulação e migra para os pulmões, podendo levar ao bloqueio parcial ou total das artérias pulmonares e até mesmo à morte”, diz.

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