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Pacientes sofrem até quatro horas em sessão de hemodiálise

Maria Clara Lima, A Tarde On Line
Por Maria Clara Lima, A Tarde On Line

Daniel Reis, 45, tem insuficiência renal há 7 anos. Natural de Itapicuru, no nordeste da Bahia, veio para Salvador em 2000 para descobrir que suas dores de cabeça, cegueira de um olho, enjôo e falta de apetite eram decorrentes de um problema nos rins. Daniel é um paciente renal crônico e, para continuar vivo, faz hemodiálise em uma clínica de Salvador três vezes por semana.

A hemodiálise substitui a função dos rins ao filtrar, em uma máquina, o sangue dos pacientes, eliminando as toxinas. O sangue é desviado para a máquina através de uma fístula aberta no braço. “Aquelas 4h de hemodiálise são uma tortura. É muito sofrido”, desabafou Daniel. “A pessoa não se acostuma com a hemodiálise, ela se acomoda”.

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Segundo dados da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, existem na Bahia 27 unidades que fazem hemodiálise, sendo que destas, 12 são em Salvador. Para o presidente da Associação dos Renais Crônicos da Bahia (Acreba), Gérson Barreto, “esse é um número baixíssimo. O Rio Grande do Sul tem uma população menor e muito mais clínicas”. Dos quase 4.000 pacientes cadastrados na fila esperando um transplante no Estado, quase 2.500 esperam por um rim. O coordenador da COSET, Eraldo Moura, explica que “como o tratamento renal é substitutivo, os pacientes renais vivem mais. Por isso o número é maior”.

Daniel conta que entrou na fila de transplante em 2003, depois de 2 anos fazendo hemodiálise. “A situação dos renais na Bahia é precária para fazer exames e para transplante”. Para fazer o transplante renal é necessário que o exame de histocompatibilidade (HLA) seja feito de três em três meses. “Tem mais de um ano que eu não faço o exame. Dizem que não está marcando, que está suspenso, que volte em tal dia. A dificuldade é grande tanto para marcar quanto para fazer”, diz Daniel.

Em contrapartida, a sobrevida do paciente renal aumentou nos últimos anos. “Hoje, o paciente renal faz 15, 20 anos de hemodiálise. Antes, eram de 5 a 7”, conta Barreto. Segundo ele, esse fato também se deve a algumas conquistas da sociedade civil organizada. “Mudanças, como a instalação do laboratório de imunogenética no Hospital das Clínicas, melhoraram a qualidade de vida e aumentaram a sobrevida do paciente renal”.

Através de algumas medidas como a otimização da fila de transplante, educação da comunidade e dos profissionais, interiorização do programa de transplante e ampliação da demanda de pacientes, a Sesab pretende resolver os problemas. “Estamos, no momento, reorganizando e ampliando toda a rede”, diz Eraldo Moura.

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