SALVADOR
Padre Pinto ignora despejo e cumpre agenda de celebridade

Por JORNAL A TARDE
Kleyzer Seixas, do A Tarde On Line Apesar do prazo para deixar a casa paroquial da Lapinha expirar nesta sexta-feira, o padre Pinto ainda não fez a mudança. A Sociedade das Divinas Vocações enviou uma carta determinando a saída do religioso hoje, mas nenhum membro da Congregação apareceu para oficializar a retirada do padre do local. Segundo o padre João Rodrigues, da Sociedade das Divinas Vocações, a ordem religiosa decidiu aguardar mais um pouco antes de tomar uma nova decisão sobre a situação do padre Pinto. Eles não vieram porque não têm coragem. Caso apareçam, serão colocados para fora, polemiza o padre. O advogado dele, Márcio Matos, que foi contratado há cerca de 15 dias, afirma que o cliente só sairá com um mandado judicial. Todo pároco tem o direito de ter sua casa, afirma o advogado. Padre Pinto diz que vai aguardar a decisão do Superior Geral da Congregação Vocacionista, Ludovico Cabultto, que chega à Bahia no dia 21 de fevereiro para resolver quem administrará a Paróquia. Enquanto Cabultto permanece na Itália, o Padre Pinto mantém a rotina de celebridade do momento inalterada. Como se não estivesse ameaçado de despejo, cumpriu uma vasta agenda de compromissos desde esta manhã. Nesta sexta-feira, ele deu entrevistas das 7 às 11 horas, na casa da Lapinha. Depois, saiu apressado para mais um compromisso em uma emissora de TV. A fama do religioso não se restringe apenas à Bahia. Padre Pinto recebeu convites para participar do Programa da Hebe (SBT), do Ratinho (SBT) e do Programa Charme, com a apresentadora Adriane Galisteu. Esse último será exibido às 20 horas deste sábado. As aparições nos outros programas ainda não não foram confirmadas. Nesta tarde, o sacerdote fará visitas informais ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJ) e ao presidente da Associação dos Magistrados da Bahia (Amab). A intenção, segundo o advogado Márcio Matos é prevenir uma possível violação dos seus direitos individuais. O Padre Pinto também já pensa em procurar a Câmara de Vereadores de Salvador, deputados baianos, o governador Paulo Souto, o prefeito João Henrique e até o presidente da república. Fizemos contatos através da assessoria do ministro Jacques Wagner para falar com Lula. Eles se comprometeram a fazer o intermédio, revela o advogado. Preocupação - Embora pareça satisfeito com o assédio da imprensa, o religioso diz que tem motivos de sobra para ficar preocupado. O padre fez votos de pobreza e ainda não foi informado pela Arquidiocese como se sustentará após sua saída da Paróquia. Estou pedindo que alguém me ajude. Não é com dinheiro, mas com doações, apelou, ao lembrar que não pretende deixar a Lapinha. De acordo com o padre Manoel de Oliveira Filho, coordenador da Pastoral de Comunicação da Arquidiocese da Bahia, o ex-pároco da Lapinha será transferido para o convento da sua congregação religiosa após a substituição. "O sacerdócio não é como trabalhar em uma empresa, que demite e deixa o trabalhador desamparado". No convento, ele poderá trabalhar com atividades comunitárias, a exemplo do que ocorre com as freiras e com os padres aposentados. "Do jeito que o padre Pinto comenta, parece até que ele será jogado no meio da rua", acrescentou.