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Padre Pinto planeja apresentar programa de TV

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

Cleidiana Ramos,

do A Tarde



Sobre o seu futuro na Igreja, o padre José Pinto, 58 anos, diz que só vai ter idéia depois de uma conversa com os os superiores locais da Sociedade das Divinas Vocações, congregação da qual faz parte. O encontro, de acordo com ele ele está marcado para a próxima terça-feira, véspera de uma exposição que vai realizar na localidade da Ilha em que repousa. Já com o cardeal arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella, ele ainda não teve contato, oportunidade para a qual diz estar ansioso.



Demonstrando tranquilidade, ontem, o padre já circulava nas ruas e preparava um projeto para um programa que ele planeja oferecer às TVs, com o título provisório de Madrugada com Jesus. "Quero entrevistar pessoas, mas do meu jeito, onde eu possa ficar bem à vontade. A idéia é pregar o Evangelho num horário em que que os outros padres estão dormindo", planeja.



A trilha para novos rumos estão abertas. Diz que tem recebido convites para anúncios publicitários e poses em revistas, propostas que tem analisado com cuidado redobrado, garante. "Não posso esquecer que estou ligado à Igreja e tenho que seguir critérios", destaca.



Sobre a polêmica causada por suas performances artísticas nos últimos dias 5 e 6, padre Pinto diz que não pensou em chocar ninguém. "Toda a repercussão sobre isso é uma ficha que ainda não caiu. Reconheço que abusei, mas não era essa essa a intenção", diz.



Nos próximos três dias o padre vai se dedicar à preparação da exposição intitulada Apocalipse na Festa dos Santos Reis da Lapinha, que será realizada na quarta-feira, às 18 horas. A renda ele pensa em dedicar às ações sociais que realiza na Lapinha e as novas que espera criar.



"Apocalipse significa revelação e foi isso que vivi mesmo. Trilhei um caminho para chegar até esse momento em que encontrei o meu verdadeiro eu", acrescenta. Embora admita ter sido avaliado por psiquiatras, ele diz que não considera ter nenhum tipo de problema nessa área.



"Eu apenas estou mostrando como realmente me sinto. O que surpreendeu é que eu tenha quebrado minha couraça interior, mas considero tudo isso uma benção", completa padre Pinto, para em seguida revelar que fez análise análise por três anos, ao que ele credita a tranquilidade que afirma sentir.



Sacerdócio - Segundo ele, não há nenhum tipo de choque entre seus novos projetos e o tempo que é necessário dedicar a uma paróquia e afirma que não pensa na hipótese de abandonar o sacerdócio, que abraçou há 33 anos.



"Eu tenho muita certeza do meu ministério sacerdotal. Lembro que meu pai dizia que se preocupava com essa minha escolha, pois um dia eu poderia me sentir triste, por conta do celibato e eu sempre o tranquilizei pois sei que até morrer é padre que quero ser", acrescenta.



Diz que colocou o lugar de pároco da Lapinha, onde trabalhou por 30 anos, à disposição dos seus superiores, mas que sente muito falta dos paroquianos. "Tenho muito carinho por todos. Não sei se vou voltar para lá. Quero muito, mas estou pronto para seguir o caminho que for determinado", completa.



Retiro virou

agenda agitada



A rotina de padre Pinto não demorou muito para fugir do padrão de retiro, que era a idéia inicial. Entre orações- ele diz que tem uma veia mística muito forte- banhos de mar e passeios na casa de parentes em uma região próxima (ele continua a pedir para que não se dê detalhes muitos precisos de onde está) o sacerdote já parece perfeitamente integrado à realidade local.

²Ontem, por exemplo, participou de uma feijoada onde encontrou os novos amigos que fez no local. "Eu já comecei a cadastrar crianças, pois penso em fazer um projeto social aqui. Fui recebido com muito carinho pelas pessoas", relata.



A viagem de padre Pinto até a Ilha, aconteceu na madrugada do último dia 7, dois dias após a primeira da apresentações que provocaram polêmica e ganharam a mídia nacional. Segundo ele, o deslocamento foi traumatizante.



"Viajei com dois primos meus, que estão aqui comigo. Quando chegamos no ferry as pessoas começaram a me reconhecer e o assédio foi terrível. Eu ainda estava tenso, com a pressão arterial elevada e em alguns momentos tive que me refugiar no porta-malas do carro, senti taquicardia, uma angústia terrível", relata.



Padre Pinto passou dias incógnito até que há dois foi descoberto e sua presença já começou a atrair a mídia, o que que não permitiu mais o anonimato "Fiquei famoso sem participar de nenhum Big Brother", brinca.

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