SALVADOR
Padre Pinto precisa se tratar, diz dom Geraldo

Arcebispo envia nota sobre a performance do religioso
Eder Luis Santana
Em nota assinada pelo arcebispo primaz do Brasil e presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, a Arquidiocese de Salvador demonstrou repúdio à postura do padre José Pinto, 57 anos, da Paróquia de Nossa Senhora da Lapinha, que na última semana surpreendeu os participantes da Festa de Reis ao celebrar missas vestido de índio e com traços da cultura africana. No texto, dom Geraldo afirma que os comportamentos manifestados estão a merecer cuidados terapêuticos.
Padre Pinto não foi localizado por A TARDE. De acordo com a secretária da igreja, Januice de Oliveira, ele viajou com familiares a pedido médico. Há um ano foi submetido a cirurgia cardíaca. Januice não soube informar quando o padre retorna à igreja nem o local onde está
Ainda no comunicado, dom Geraldo afirma que a Arquidiocese irá tomar providências. As atitudes foram consideradas fora da normalidade e, por isso, causaram perplexidade entre autoridades, fiéis e participantes dos festejos. Dentre as ações nada convencionais de padre Pinto está o fato de celebrar missas usando maquiagem e fazer referência ao culto afro.
Um dos últimos religiosos a ter contato com padre antes da viagem foi o monsenhor Gaspar Sadoc, vigário geral da Igreja. Ambos conversaram na tarde da última sexta e, segundo monsenhor Sadoc, o padre estava calmo, mas demonstrava sinais de cansaço. Não houve intenção de ofender ninguém, entretanto, tudo que é fora do comum causa espanto, diz o monsenhor.
O religioso acredita que padre Pinto tenha se excedido: Foi desagradável. Não era o momento para aquela manifestação. Questionado se as inovações seriam uma forma de protesto - padre Pinto disse na última terça-feira estar sendo perseguido por integrantes do Conselho Paroquial que querem lhe tirar do cargo -, monsenhor Sadoc afirma que o assunto não foi discutido no encontro.
Pessoa querida Moradores do bairro da Lapinha lamentam e defendem pároco. É o caso do ajudante de almoxarifado Ivan Andrade, 40 anos, que há dez convive com padre Pinto. Ele é muito querido, afirma. O padre é responsável pela criação da Escola Creche Adalgiza Souza Pinto, que atende 400 crianças da região. O religioso também é artista plástico.
Fala povo - Você acha que padre Pinto precisa de tratamento?
Ele apenas quis homenagear as culturas indigena e africana. Seria um desrespeito caso ele tivesse celebrado a missa sem roupa.
Um padre que se veste daquele jeito vai de encontro ao que prega a igreja católica. Foi uma postura humilhante.
Não é normal aquela postura de um padre. Acho que ele é desequilibrado e precisa ser punido de alguma forma.