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Pais e filhos negociam a compra de material escolar

JORNAL A TARDE
Por JORNAL A TARDE

É preciso entrar em acordo com a garotada para evitar gastos desnecessários



Rodrigo Vilas Bôas




Lápis, caneta, borracha, papel, caderno... Nas prateleiras das livrarias e papelarias, encontram-se os mais variados tipos e marcas de material escolar. Se, na hora de escolha, os pais já ficam em dúvida sobre o que levar para casa, a indecisão aumenta ainda mais quando o assunto é ir ou não às compras em companhia dos filhos.



Para alguns, ao satisfazer às vontades, nem sempre – ou quase nunca – é possível economizar. Outros acreditam que é preciso atender aos desejos, mesmo que seja preciso gastar um pouco mais.



A bibliotecária Gilma Fagundes, 37 anos, chegou até a pensar se levaria seus filhos Felipe, 11, e Leonardo, 9, para comprar material escolar. “Se eles tivessem vindo, o dinheiro não daria para nada”, opinou ela, que gastou R$ 365. Juntas, as listas continham 76 itens, dos quais 63 foram encontrados.



Os pais de Ruan, 13 anos, e Riana, 7, os comerciantes Carlos Alberto e Maria Eduarda Ruas, acreditam que é necessário impor limites às crianças. “Só compramos o que eles querem se não comprometer nosso orçamento. É melhor que não venham conosco. Assim, o consumismo não é exacerbado”, considerou ele.



A pedagoga Cristiane Passos, 40 anos, adquiriu a maioria dos materiais com antecedência. Alguns, porém, deixou para comprar depois, a fim de que seus filhos Bernardo, 9 anos, e Paloma, 4, pudessem escolhê-los. “É importante que eles entrem no clima de volta às aulas”, declarou, ciente de que talvez fosse preciso desembolsar um pouco mais.



Na Papel & Cia, onde a pedagoga fazia compras, muitos pais estavam acompanhados de seus filhos, a exemplo do advogado Paulo Rangel, 39 anos, que havia levado Karine, 15, Diogo, 10, e Pedro, 4. “Converso com eles antes a respeito dos preços. Só levo se não for caro. Pelo diálogo, eles me compreendem”, observou.



Karine sempre perguntava ao pai quando queria algum produto específico. “Ele me deixa levar o que quero, mas se for caro, chegamos a um acordo. Acho bom poder fazer escolhas”, avaliou. Vendedora da loja, Isa Nogueira diz que todos os dias vê os pais trocando idéias com os filhos. “Os pais ficam divididos, especialmente quando são produtos de marca e preferidos da garotada.”



A psicóloga Ângela Vianna Leite destaca que, no processo educacional, os pais devem orientar os filhos para o uso correto do dinheiro. “É importante cautela na distribuição de mesadas. Deve-se procurar orientá-los para o consumo inteligente”, alerta Ângela, para quem os filhos podem ir às compras com os pais. “Não vejo problema se eles tiverem a devida noção do valor de moeda e da situação financeira dos pais”.



Aumenta movimento nas lojas



Na semana que antecede o começo das aulas na maioria dos estabelecimentos particulares, o movimento nas livrarias e papelarias está intenso. Para os lojistas, quem deixou para comprar na última hora enfrentará filas, principalmente no final da semana.



Desde dezembro, de acordo com a gerente da Papel & Cia, Carmelita Resende, vem crescendo a comercialização de produtos escolares. “Nos últimos dias, o movimento tem aumentado consideravelmente”, declarou. Não por acaso, o estabelecimento vai funcionar em esquema de plantão nesta semana. No domingo, por exemplo, o atendimento ao público será das 9 às 13 horas.



Funcionário do setor de marketing da loja, Edgar Vianna frisa que os pais devem pesquisar preços antes de adquirir o material escolar. Sugere que as compras sejam planejadas com antecedência e aconselha que os pais estejam com as listas em mãos e saibam previamente o que levarão para casa. “A adoção dessas medidas agiliza a compra”, ressalta, acrescentando que é importante se informar sobre o gosto e a preferência do filho.

 

EM FALTA – Nesta época do ano, é comum os pais de alunos não encontrarem alguns livros didáticos indicados na lista de materiais da instituição de ensino. A saída é entrar diretamente em contato com a editora ou fazer uma reserva em uma livraria de confiança.



Na Livraria e Papelaria Doce Livro, que funciona no Cabula, por exemplo, existe um serviço de reserva de materiais escolares. A lista de materiais pode ser enviada pelo cliente por fax ou e-mail à loja, que fará um orçamento e a reserva do produto. “O nosso objetivo é facilitar a vida do consumidor”, comenta o sub-gerente Gabriel Malaquias.



Se algum livro da relação estiver faltando, a Doce Livro entra em contato com a editora e o cliente, que recebe um vale-crédito para depois buscar o produto na loja. A Livraria e Papelaria Monteiro também possui serviço de reserva de livros. “Pegamos o número do cliente para entrar em contato com ele quando conseguimos a mercadoria”, diz o gerente Lucas Monteiro. (R.V.B.)

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