SALVADOR
Pais se preparam para a maratona do material escolar

Passados Natal e Réveillon, chegou a hora dos pais se preocuparem com as despesas com a educação dos filhos. O mês de janeiro é tradicionalmente dedicado à matrícula e à lista de material e livros didáticos. No entanto, alguns cuidados são necessários para garantir os direitos do consumidor e alguma economia nesta época do ano.
A principal orientação do advogado do Procon, Márcio Pedreira, é que os pais fiquem atentos à lista oferecida pela escola. Nela não podem constar os chamados "materiais de uso genérico", como papel ofício, papel higiênico, cartucho de impressora ou qualquer outro que não seja de uso exclusivo do aluno. Além disso, a escola não pode condicionar a compra de qualquer material a um estabelecimento específico e sim deixar para os pais a escolha da loja onde farão as compras.
Também é proibida a cobrança de qualquer taxa adicional para compra de material pela escola.
Outra dica de Pedreira e que muitas vezes é esquecida pelos pais é a possibilidade de entrega dos produtos ao longo do ano. "Não é necessário comprar tudo de uma vez. Para muitos, pode ser mais vantagem comprar o material na medida em que seja necessário durante o ano letivo", informa. Pedreira alerta ainda que é fundamental acompanhar o uso do material nas atividades pedagógicas. "É preciso saber se o que foi entregue no início do ano foi efetivamente utilizado pelos alunos. Caso não seja, os pais podem inclusive fazer uma reclamação nos órgãos de defesa do consumidor", afirma. Segundo ele, caso o material não seja utilizado deve ser devolvido aos pais no fim do ano.
Para quem quer economizar, a orientação é pesquisar preços e, se possível, fazer compra conjunta com outros pais, para barganhar descontos junto aos distribuidores. Para quem já está nas ruas, à procura do material para os filhos, o segredo para economizar é mesmo a pesquisa. É o caso da autônoma Elaine Neves, que já levou a lista de materiais da escola do neto a cinco livrarias. "Não dá para comprar tudo na primeira loja, é preciso ver quem tem os melhores preços e até mesmo comprar cada coisa num lugar diferente", afirma.
Ela ainda não concluiu o levantamento, mas calcula que vá gastar até R$500 no material escolar do garoto. Ela decidiu antecipar as compras porque sabe que a partir da segunda quinzena do mês os preços tendem a subir. "Se nessa época já está tudo tão caro, imagina daqui pra frente. Vai ficar impraticável", diz.
O gerente da Livraria Santa Cruz, Antonio Costa, confirma que o movimento ainda está fraco e só deverá se intensificar com a proximidade do início das aulas, em fevereiro. "Não tem jeito. Todo mundo só deixa para comprar mesmo na última hora", afirma. Para ele, os maiores estímulos para quem se organiza e consegue antecipar as compras são a tranqüilidade para escolher o material e os preços, já que as lojas ainda não receberam as novas tabelas de preço das distribuidoras de livros.
Para 2007, a expectativa do setor é de um reajuste médio de 10% no valor dos livros didáticos, a partir da segunda metade do mês, quando chegam as novas edições. Segundo Costa, os outros artigos, como cadernos e mochilas, não deverão ter aumento significativo. No entanto, ele alerta que, devido à grande procura nesta época do ano, os produtos mais baratos tendem a esgotar mais rapidamente do que aqueles de valor mais elevado.
Foi devido à tranqüilidade e à economia que a estudante universitária Elenaide Rodrigues antecipou as compras do material para seus dois filhos. Mesmo assim, gastou cerca de R$ 650 com cadernos, livros e mochilas novas. "E ainda ficaram faltando alguns itens na lista da escola", diz. Mesmo assim, ela acredita que valeu a pena. "No ano passado, gastei ainda mais, porque deixei para comprar tudo na última hora". A despesa pesou no orçamento da estudante: "Lá em casa tivemos que economizar nas férias para poder pagar os estudos dos meninos".
Uma dica de Costa para os pais com filhos em idade escolar é o que ele chama de "Bolsa Educação": uma poupança mensal ao longo do ano para amenizar o impacto da despesa nesse período. "Uma economia de R$50 por mês é suficiente para os pais garantirem o material dos filhos e ainda sobra um pouco para o carnaval", garante.