Palacete Tira-Chapéu abre as portas e apresenta restauro

Mostra acontece este mês, no Salão Chile do Palacete, com entrada franca

Publicado quinta-feira, 14 de julho de 2022 às 05:00 h | Atualizado em 14/07/2022, 00:04 | Autor: Antônio Dilson Neto*
Programação da iniciativa inclui apresentação sobre o processo de restauro do imóvel
Programação da iniciativa inclui apresentação sobre o processo de restauro do imóvel -

Um dos mais importantes edifícios de estilo eclético do Centro Histórico de Salvador, o Palacete Tira-Chapéu reabriu as portas, na manhã de quarta-feira, 13, para apresentar o andamento do minucioso restauro desenvolvido no prédio. A exposição “Rua Chile e o Palacete Tira-Chapéu – 120 anos de História” acontece este mês, no Salão Chile do Palacete, com entrada franca, de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados das 9h até as 12h.

O objetivo é assegurar que o edifício se mantenha em funcionamento como oferta de arte e cultura, resguardando os potenciais artísticos e arquitetônicos remanescentes. O projeto é desenvolvido pela Elysium Sociedade Cultural, a partir do apoio do Grupo Elo, que patrocina as obras por meio da Lei de Incentivo à Cultura. 

Concebido em 1914 pelo arquiteto italiano Rossi Baptista, o palacete foi construído para abrigar a Associação dos Empregados do Comércio da Bahia, instituição fundada em 1900. Quando a associação mudou de endereço, o edifício foi desativado. 

Wolney Unes, engenheiro civil e diretor técnico da Elysium, relata que o processo começou por um reforço estrutural. “A cobertura já tinha caído parcialmente, com alguns problemas estruturais. Afinal, edifício que fica sem uso deteriora. Acertamos esse procedimento, em fevereiro de 2021, e demos início ao processo. Estamos nessa etapa de manutenção e restauração do imóvel como um todo”.

Achados históricos

Um edifício tão antigo guarda partes da história soteropolitana em suas paredes. Durante o processo de revitalização, a equipe descobriu artefatos que contam a história de outras épocas da capital e da Rua Chile. “Um achado muito interessante foi o Salão Principal da rua Chile, que foi ocupado durante muito tempo por uma grande farmácia, desde os anos 20. Após a desocupação, houve pintura e revestimento do piso. Nossa primeira providência foi remover esses revestimentos para identificar o que estava embaixo. Quando tiramos o piso, descobrimos um mosaico de cerâmicas muito interessante, bonito, que está exposto. Nas paredes, descobrimos uma pintura antiga por baixo. Quando removemos o forro, identificamos grandes vigas de madeira, barrotes, que dão sustentação aos pisos. São peças de mais ou menos 25 m de comprimento, com mais de 100 anos em ótimo estado de conservação”, conta. A equipe de 240 pessoas envolvidas no restauro continuam em operação. 

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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