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Palheta é despejado da Rodoviária de Salvador

Emanuella Sombra e Luisa Torreão, do A Tarde
Por Emanuella Sombra e Luisa Torreão, do A Tarde

Quem passou nesta terça pelo Terminal Rodoviário estranhou as luzes apagadas e a ausência de clientes no principal local para refeições da rodoviária. Por meio de um oficial de Justiça, um mandado de despejo da 3ª Vara Cível e Comercial de Salvador obrigou funcionários do Café Palheta a abandonarem o serviço ainda pela manhã, enquanto equipamentos da cozinha e refrigeradores eram retirados. O mandado foi revogado no final da tarde pelo Tribunal de Justiça (TJ) e o restaurante deve ser reaberto nesta quarta.

Por trás da ação, a Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda (Sinart) alega inadimplência do Palheta desde julho de 2003, quando foi feito o último repasse do aluguel do espaço. “Eles nos devem pouco mais de R$ 3 milhões em mensalidades, entre multas e correção”, afirmou o diretor da empresa, Reinaldo de Góes.

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De acordo com Góes, o contrato de uso da Cafés Finos Salvador Ltda, razão social do estabelecimento, venceu em setembro de 2002, o que justificaria a desocupação dos 822,64 m² que compõem a loja, além de outras três áreas adjacentes. Concessionária que detém do governo estadual a administração do terminal, a Sinart é responsável pelos contratos de aluguel das lojas e estandes existentes na Estação Rodoviária.

Quanto à suspensão do despejo, o advogado da Sinart, Sílvio Pinheiro, foi enfático: “Vamos estudar os recursos possíveis. Nós vamos recorrer com certeza”. A decisão judicial foi tomada à tarde, pela própria presidência do TJ, após a entrada do pedido no Setor de Comunicações Gerais, ao meio-dia.

Segundo o advogado da Cafés Finos Salvador, Fernando Neves, o não-pagamento foi provocado por uma quebra de acordo entre a Sinart e o restaurante. Conforme disse, a concessionária “descumpriu o direito do Palheta sobre a venda de determinados produtos”. Desta forma, Neves afirma que a Sinart deveria R$ 5,5 milhões à empresa.
“A alegação deles não gera indenização, porque eles [do Palheta] não obtiveram êxito nem na ação indenizatória, muito menos na ação que renovaria o contrato. O que estão fazendo é atrapalhar a reforma da rodoviária, isto sim” rebateu Sílvio Pinheiro.

O diretor da Sinart comentou a intenção de implementar uma praça de alimentação no local, o que inviabiliza a permanência do café no espaço atualmente ocupado. “Não faz sentido as pessoas terem uma única opção para fazer uma refeição na rodoviária. Mesmo que não houvesse a inadimplência eles teriam que se readequar”, explicou Góes.

CUSTO ELEVADO – Enquanto latas de cerveja e refrigerante eram retiradas do freezer sob a observação desnorteada dos funcionários, o comerciante Evaldo Campos aguardava inutilmente o atendimento no caixa. “Alegam o quê para não pagarem aluguel? Um misto quente custa R$ 3,20, uma fatia de pizza é R$ 4,80. Aqui tudo é mais caro, um absurdo”, disse o morador de Feira de Santana, após saber o que se passava.

“É bom não falar nada, senão vocês vão se complicar”, ameaçou o responsável pelo Palheta, que se identificou apenas como Marilto, ao observar A TARDE conversando com algumas atendentes do café. A atitude divergia da manifestação ocorrida algumas horas depois, quando parte dos 120 funcionários reivindicava diante da imprensa a volta das atividades, após invadirem o espaço interditado pela Justiça.

Marinalva da Cruz, há 22 anos no estabelecimento, disse não saber o motivo da ação, mas se mostrou indignada. “Sou pai e mãe de família, não posso ficar sem este emprego”, justificou, ao lado do colega Edimilson Alvez. Para ele, a atitude foi desrespeitosa: “Vieram tirando tudo, e cortaram até a luz sem avisar”. Ele e Marinalva faziam coro aos gritos de “Palheta unido jamais será vencido”, diante das câmeras e máquinas fotográficas. Procurado por A TARDE, o proprietário do Café Palheta, José Henriques, não foi localizado até o fechamento desta matéria.

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