Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Papa dá a Irmã Dulce o título de venerável

 Biaggio Talento, do A TARDE
Por Biaggio Talento, do A TARDE

O papa Bento XVI assinou na sexta-feira, dia 03, o decreto que concedeu oficialmente o título de venerável à freira Irmã Dulce, morta em 1992. É mais uma etapa que a religiosa baiana ultrapassa no processo de canonização, iniciado em janeiro de 2000.



A decisão do papa atende à recomendação da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano, anunciada em janeiro. Esperava-se que Bento XVI confirmasse o título somente em junho. Ao homologar o documento, ele reconheceu “as virtudes heroicas da serva de Deus Dulce Lopes Pontes”, o que autoriza a concessão do título de venerável à freira.



De acordo com a assessoria de imprensa das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), o reconhecimento foi comunicado pelo próprio papa ao prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, o arcebispo Ângelo Amato, em audiência realizada ontem no Vaticano.



O título assinala que Irmã Dulce “viveu, em grau heroico, as virtudes cristãs da fé, esperança e caridade”, permitindo que a causa da beatificação da religiosa cumpra sua última etapa: a confirmação do milagre. A partir da decisão do papa, a freira passa a ser chamada agora de Venerável Dulce.


Milagre –
Na burocracia canônica, uma graça alcançada por um devoto é considerado milagre com a atendimento de quatro pontos básicos: “a instantaneidade, que assegura que a graça foi alcançada logo após o apelo; a perfeição, que garante o atendimento completo do pedido; a durabilidade e permanência do benefício e seu caráter ‘preternatural’ (não explicado pela ciência)”.



Conforme as Osid, a comprovação é feita em três etapas. A primeira, por uma reunião com teólogos; a segunda, com peritos-médicos (para que se dê o aval científico da cura); e, por fim, a aprovação do colégio cardinalício. O Memorial Irmã Dulce guarda mais de cinco mil cartas e depoimentos que relatam curas que os devotos acreditam milagrosas e operadas pela fé naquela que é conhecida como “Mãe dos Pobres e Anjo Bom da Bahia”.



O título de venerável da Igreja Católica é considerado pelo “advogado dos santos”, o frei Paulo Lombardo (que trabalha nas causas de 60 candidatos a santos, dos quais 15 são do Brasil, entre eles Irmã Dulce), como mais importante que o milagre. Na sua passagem em Salvador em janeiro, Lombardo disse que a confirmação do milagre, seria uma espécie de “carimbo para a santidade, mas a santidade não consiste nos milagres”, e sim na vida caridosa dos candidatos a santo.



A presidente das Osid, Maria Rita Lopes Pontes, se disse surpresa positivamente com a assinatura do papa antes do previsto e espera agora pela confirmação, pelo Vaticano, do milagre atribuído à freira, processo de análise que deve durar entre um ano e meio e dois anos. Ela espera que o título de venerável contribua para o aumento das doações às Osid, que mantém um complexo médico responsável pelo atendimento gratuito de 4 mil pessoas por dia.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas