SALVADOR
Parada obrigatória: os problemas e desafios diários da Estação Pirajá

Série 2/5 - REPORTAGENS SOBRE AS ESTAÇÕES DE TRANSBORDO DISCUTEM RUMOS DO TRANSPORTE
O movimento na Estação Pirajá começa cedo, antes mesmo de os primeiros raios de sol despontarem no céu. Nas plataformas, filas de passageiros se formam a partir das 5 horas da manhã, e crescem numa velocidade tão intensa quanto a rapidez percorrida pelos ponteiros do relógio. Mas, por lá, as horas não passam tão depressa assim.
“O carro demora demais. E, quando chega, vai todo mundo no mesmo ônibus”, conta a estudante de administração Maria Isabel Correia de Jesus, ao aguardar a condução para ir à faculdade. A espera é longa. “Aqui devia ser uma estação onde as pessoas pudessem chegar, pegar o ônibus, sair e acabou. Mas isso não funciona”, desabafa o porteiro Luciano Lázaro.
A Estação Pirajá surge em 25 de novembro de 1994 para substituir a Estação Nova Esperança – local por onde circulava o sistema de transporte que, desde 1986, atendia à região de Cajazeiras. “O que melhorou aqui foi a temperatura. Ficou mais arejado. Na Nova Esperança, era muito calor. Antes, também, a gente ganhava mais”, conta o vendedor ambulante Cláudio Sales, que trabalha na região há mais de 20 anos.
O local é um centro de transbordo, onde o passageiro desembarca do ônibus e pode embarcar em outra condução, sem custos. Por dia, cerca de 130 mil usuários circulam pela Estação Pirajá, de acordo com informações da Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador, a Transalvador. Por hora, 153 ônibus circulam pelas três plataformas diariamente.
Para os usuários, o número não supre a demanda.“É uma vergonha”, lamenta o maquetista Fábio dos Santos Silva. Passadas as seis primeiras horas da manhã, as filas ganham proporções desmedidas. Torna-se difícil descobrir onde começa e onde termina o que se pode chamar de “caracol humano”. A doméstica Cleuza Fiaz da Silva relata que a agonia é diária. “É sempre assim. Idoso caindo, sendo machucado. É gestante caindo, o povo passando por cima”, descreve ela.
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