SALVADOR
Paradeiro de nigerianos continua desconhecido

Banho de mar, futebol na praia e a estadia num apartamento no 11º andar de um prédio na Barra. De acordo com informações da Polícia Federal (PF) são estas as condições em que estão vivendo na Bahia os seis nigerianos que desembarcaram clandestinos no dia último dia 23 de março no Porto de Aratu, em Salvador.
As informações, de acordo com o delegado chefe da imigração da PF, André Costa, foram dadas pelo advogado Carlos Alcântara, representante da Protector & Insurance (seguradora da empresa proprietária da embarcação). A empresa de segurança Golan foi contratada para manter os africanos sob vigilância.
Ambos representam os interesses da seguradora dos donos do navio de bandeira liberiana que transportou Sami Dada Friday, 30 anos, Oni Samson, 29, Abiola Adisa 17, Victory Marvelous, 18, Louis Michael, 18, Patrick e John Slim Abiodum, 18.
Os dois últimos, de acordo com a PF, são reincidentes, tendo sido repatriados, respectivamente, em 11 e 5 de fevereiro deste ano, após vinte dias presos em Porto Alegre (RS), onde aguardaram a deportação. “Eles estão sob liberdade vigiada, (não por agentes federais), por determinação da 6ª Vara da Justiça Federal, em local não revelado, por questões de segurança”, disse o delegado Costa. Caso fujam “aí é com a PF de novo”, explicou.
De acordo com o Ministério da Justiça, os nigerianos serão interrogados no final deste mês, provavelmente no dia 28. Só depois de ouvi-los será possível prever a data do julgamento. Serão avaliadas e checadas todas as informações fornecidas por eles, junto ao país de origem. A demora ocorre porque existem muitos casos na frente do deles.
Eles entraram na embarcação pelo leme, porque o navio estava vazio, tendo saído da Nigéria no dia 12 de março. O navio seria carregado de ferro no Porto de Aratu, partindo para a África do Sul, de acordo com a PF. A reportagem ligou para o celular do advogado Carlos Alcântara, representante da seguradora Protector & Insurance, sem retorno.
No final do mês passado, militantes do movimento negro protestaram porque os clandestinos estavam confinados na sede da empresa de segurança Golan, na Barra.