SALVADOR
Paralisação de técnicos deixa mortos sem necrópsia em Itabuna

Amigos e familiares de pessoas mortas em Itabuna, a 429 km de Salvador, estão há dois dias sem conseguir atendimento nos serviços de necrópsia no Departamento de Polícia Técnica (DPT). Responsável pela demanda de 32 cidades da região, o DPT da cidade recebe entre quatro e cinco corpos todos os dias que necessitam ser necropsiados. Na manhã desta quarta, 7, dois familiares de mortos apareceram no local e não conseguiram atendimento.
"É um absurdo. Esses técnicos deveriam ser funcionários fixos do DPT", lamentou um familiar que preferiu não se identificar. Nesta manhã, pelo menos três pessoas aguardavam atendimento com corpos de familiares guardados dentro de carros de funerárias.
O serviço foi suspenso desde que os cinco auxiliares de necrópsia da cidade resolveram parar de trabalhar. Todos eram terceirizados e tinham assinado contrato de trabalho de seis meses. No entanto, há 15 dias o período de contrato venceu e não houve renovação nas atividades. "Não queremos mais trabalhar de graça", denunciou um dos funcionários.
Na última terça-feira, o analista de sistemas Fábio Mendes precisava que fosse feita a necrópsia no corpo de um amigo assassinado. Após horas de espera e de ter acionado o Ministério Público, o máximo que Fábio conseguiu foi deixar o corpo guardado na geladeira do DPT. Os médicos legistas de plantão no órgão alegam que não podem trabalhar sem a presença dos técnicos.
Por meio de sua assessoria de comunicação, o DPT informou que dois auxiliares estão trabalhando e que os quatro corpos que deram entrada pela manhã já teriam sido liberados.
*Com informações de Ana Cristina Oliveira, da sucursal Itabuna