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Parentes de policiais mortos contestam versão da PM

Meire Oliveira, Débora Alcântara e Thiago Guimarães
Por Meire Oliveira, Débora Alcântara e Thiago Guimarães
| Atualizada em

Policiais civis e militares que compareceram, neste sábado (5), ao enterro do PM Ednilson Ventura Moreira, 46 anos, no cemitério do Campo Santo, fizeram coro ao depoimento dos parentes do policial Francisco Belo da Silva, 44 anos – ambos mortos à tiro nesta sexta, em um bar no Largo do Tanque –, contestando a versão divulgada pela assessoria de imprensa da Polícia Militar de que os policiais haviam sido excluídos da corporação por problemas de conduta.

Logo após o crime – que também deixou dois feridos –, o capitão Marcelo Pitta, chefe do Departamento de Imprensa da PM, informou que os policiais já haviam sido denunciados por participar em grupos de extermínio.

A corporação informou também que os militares foram reintegrados posteriormente e reformados por problemas de saúde. A assessoria de comunicação da PM informou que até o momento os responsáveis pela morte dos policiais ainda não foram identificados e que as investigações continuam.

Segundo o consultor Alexandre Santos de Oliveira, 37 anos, irmão de Francisco, ele estava afastado por quase dez anos. “A doença dele foi causada pelo ambiente de trabalho e ele não tinha inimigos, nem participava de grupo de extermínio. Se fosse, ele e os amigos não estariam no meio da rua desarmados. Todos os colegas e amigos não têm nada que prejudique a imagem dele. A questão é que policial é alvo o tempo inteiro e não tem melhor estrutura, nem apoio na corporação”, disse.

Um policial civil, que acompanhava o enterro de Ednilison no cemitério do Campo Santo, informou que "todos na corporação estão revoltados com o depoimento do capitão. Denegrir a imagem dos colegas dizendo que eles participavam de grupos de extermínio só enaltece as ações do bandido", desabafou.

"É mais fácil acusar os policiais por que já morreram. Eles [a corporação] estão fazendo um mal para a sociedade", bradou um policial militar, que também acompanhava o enterro no Campo Santo. Apesar da revolta contra o depoimento do capitão Pitta, os policias civis e militares presentes no enterro negaram qualquer possibilidade de paralização.

A investida contra os policiais, anteontem, foi realizada por um grupo de homens que chegaram ao bar em um carro vermelho. Francisco, que tinha um filho de 23 anos, morreu a caminho do Hospital Geral Ernesto Simões Filho. Já Ednilson Ventura Moreira, 46 anos, morreu depois de chegar à unidade de saúde, deixando esposa e dois filhos.

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