Parte da história, Mercado de Santa Bárbara resiste ao tempo e é um dos centros da festa

Publicado sábado, 04 de dezembro de 2021 às 11:24 h | Atualizado em 04/12/2021, 11:38 | Autor: Amanda Souza

A história de Santa Bárbara na Bahia se mistura à do comércio em Salvador. Neste sábado, 4 de dezembro, é o dia do festejo popular dela, e o Mercado de Santa Bárbara, na Baixa dos Sapateiros, não fica fora do circuito dos devotos.

A missa acontece às 7h, na capela ao fundo do mercado que abriga um altar ornamentado pelos próprios comerciantes. São eles que organizam, limpam e montam toda a decoração para festejar o dia da Santa que dá nome ao centro comercial.

Das bandeirolas que enfeitam, amarradas nos corredores, às rosas que embelezam o altar, tudo sai do bolso e do tempo dos comerciantes e devotos que querem agradecer as graças alcançadas.

Como explica Vagner Rocha, produtor cultural e devoto ativo no mercado, a festa movimenta o povo e a fé local. Ele é pesquisador e a sua tese de doutorado investiga a trajetória da festa popular de Santa Bárbara.

“A festa tem três grandes momentos: a fase de invisibilidade, de inconstância e declínio, e a fase de ascensão”, destaca Vaganer, que começou como pesquisador e hoje é também devoto da ‘Barbinha’, como ele chama a Santa.

Em 2021, a devoção a Santa Bárbara em Salvador completa 380 anos. Essa é uma das festas populares mais tradicionais e mais antigas da Bahia.

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“Foi em 1641 que um casal de portugueses trouxe uma imagem de Santa Bárbara e a colocou numa capela no bairro do Comércio. [...] ganha força também após a associação a Iansã”, conta Rocha.

Festa do povo preto

Na festa celebrada na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a imagem que é apresentada nas missas já esteve presente no mercado, mas foi doada à irmandade, que atualmente toma conta da santa.

A década de 80 marcou o declínio do mercado, que estava cheio de problemas estruturais. Com isso, àquela época, houve o fim da festa. “Em 87, os herdeiros do proprietário do mercado doam a imagem de Santa Bárbara em cartório para a Irmandade do Rosário, porque já não havia mais condições de manter a tradição e a festa”, diz Vagner. Em seguida, o mercado fechou, e só reabriria 10 anos depois, em 1998. A imagem de 40 cm segue na irmandade e só sai de lá para a procissão do dia 4/12.

Mercado carrega história

No final do século 19, um incêndio num prédio vizinho ao mercado que abrigava a imagem de Santa Bárbara no bairro do Comércio comprometeu a capela, o que provocou a mudança da ‘casa’ da Santa para o centro comercial que a homenageia até hoje, na Baixa dos Sapateiros, que é datado do século 19.

O Mercado de Santa Bárbara resiste ao tempo e, apesar de alguns problemas estruturais, é um espaço que faz parte da história da cidade de Salvador e de seu roteiro religioso.

O espaço é responsável pela festa desde a década de 10 e, de fato, reúne o povo. “O mais belo dessa festa no mercado é a espontaneidade, a devoção popular. É o povo que faz a festa, que arruma as flores, que faz questão de comparecer para acender uma vela, depositar uma oferta”, pontua Vagner.

Além da celebração, o mercado segue em funcionamento ao longo do ano. Bares, salões de beleza, barbearias e até um ateliê de costura mantém a tradição viva nas paredes vermelhas da construção que fica na entrada do Pelourinho. Com as cores de Santa Bárbara e Iansã, o mercado resiste ao tempo e guarda memórias.

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