SALVADOR
Passeata pede liberdade de baiana

A caminhada foi silenciosa, reuniu cerca de 200 pessoas e terminou após concentração ao pé da estátua do Morro do Cristo, com orações católicas entremeadas pelo cântico da música Nossa Senhora – de autoria e interpretação de Roberto Carlos. A música foi um pedido especial feito, na manhã de desta sexta, pela administradora Ana Virgínia Moraes Sardinha, 38, que telefonou da prisão, em Portugal.
Foi assim que familiares e amigos de Ana Virgínia realizaram ato de solidariedade, no meio da manhã desta sexta, entre o Farol da Barra e o Morro do Cristo. Eles tentam chamar à atenção de autoridades brasileiras para as supostas arbitrariedades contra a baiana no país lusitano, desde o último mês de julho, quando foi acusada de ter matado o próprio filho, Leonardo Brittes, de 6 anos.
A criança morreu no dia 5 de julho, após sofrer convulsões, em um hotel de Lisboa, onde estava com a mãe, horas antes do retorno deles à Bahia. A polícia afirma que foi um caso de envenenamento proposital, por meio de doses excessivas do medicamento oxcarbazepina 600mg (trileptal), dado pela mãe.
Ana Virgínia e pares, por sua vez, tentam provar a inocência dela, uma vez que a criança era portadora de epilepsia benigna da infância e recebia a medicação por prescrição médica, há meses.
Solidariedade – Marcada para as 10 horas, a caminhada saiu da concentração, às 10h35, com quase todos os participantes vestidos de branco – familiares e amigos mais próximos usavam camisetas ilustradas com fotografia de Ana e Leonardo. À frente, a faixa tinha o apelo “Portugal, liberte Ana Virgínia e dê paz para seu filho Léo!!”.
“Moço, é o caso da mãe que matou o filho?”, questionou o jovem Edmilson Silva, 20, que tomava sol na balaustrada da praia. Como ele, vários freqüentadores da orla da Barra seguiram com atenção a passagem dos manifestantes.
Familiares de Ana Virgínia disseram ter ficado satisfeitos com o ato público. “Muita energia positiva, o que mostra a solidariedade das pessoas ao caso”, disse a arquiteta Ana Regina Sardinha, uma das quatro irmãs de Ana Virgínia. Para outra irmã, Ana Rosa, o povo brasileiro está solidário: “Recebemos manifestações de todos os lados, no entanto nenhuma instituição de defesa dos direitos humanos nem autoridade brasileira nos procurou ou respondeu a todos os nosso apelos”.
Ela revelou que apenas uma instituição, a Associação Contra a Exclusão e Desenvolvimento (Aced), por meio do sociólogo português Antônio Pedro Dóres demonstrou solidariedade. No começo, ele nos deu um grande apoio. Aqui no Brasil, nós, a imprensa e os internautas já fizemos o caso chegar em todos os cantos, mas nenhuma autoridade nos procurou”, lamentou.
Turista – No Cristo, o ato chamou à atenção da turista Ana Ramalho, em Salvador desde esta quinta, na primeira visita ao Brasil. Após fotografar tudo, ela respondeu sorrindo – pela coincidência – à pergunta da reportagem sobre sua procedência: “De Portugal, moro em Lisboa”. Ela disse que, até então, não sabia do caso.
As irmãs de Ana Virgínia se emocionaram muito, durante o ato no Morro do Cristo, e choraram abraçadas.