SALVADOR
Passeio na Rua Chile

Gerônimo
Eu me lembro quando botei os pés pela primeira vez na Rua Chile. Era domingo de Carnaval e eu tinha apenas 7 anos.
O cheiro na rua era de lança-perfume Rodoro. Um vasilhame de metal dourado. Painho tinha comprado uma para mim e outra para minha irmã, Ísis.
Aquela rua larga era delimitada para a passagem de cavalos ornamentados, o Corso, com automóveis conversíveis lotados de gente. Começava o desfile....
Tudo era mágico, lúdico e caloroso. Jardineiras, cavaleiros, dragões e bem ao fundo uma batucada. O estandarte indicava ser Cavaleiros de Bagdá. Juro que não entendia, mas era bonito de se ver: o povo cantando samba, os sopros em harmonia com a bateria.
Fomos caminhando, acompanhando.
Estava atento a tudo...
De repente, ao longe, um som superagudo de cavaquinho elétrico e violão tenor. Tinha uma multidão ao redor do caminhãozinho.
Comecei a entender o que era o Carnaval, a forma de celebração a todo tempo o tempo todo....
Hoje, eu ainda me lembro...
Agora, sem algumas definições, percebo que a liberdade de se expressar é a mesma da configuração antiga.
Salvador está do mesmo tamanho de quando eu assisti ao Carnaval, naquele dia... mas, acredito que sempre haverá a surpresa, o belo inesperado....
Evoé.... que assim seja.
Gerônimo é cantor e compositor