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SALVADOR

Pesquisador baiano traz experiência de 35 dias na Antártida

Por Clarissa Borges, do A TARDE On Line

08/12/2007 - 18:12 h

“A temperatura nem é a maior vilã, o pior é quando, além de -25°, tem um vento de 70 Km/h”. A frase do pesquisador baiano Gerson Norberto resume o que enfrentou nos 35 dias que passou na Ilha Elefante, na Antártida, junto com uma equipe de pesquisadores. Veterinário e coordenador do zoológico de Salvador, Gerson foi convidado pela oceanógrafa Mônica Muelbert, coordenadora da equipe, devido a sua experiência de 9 anos com mamíferos aquáticos, fundamental para o trabalho de anestesia e manejo dos animais e coleta de material biológico.

O foco do seu estudo, que integra o projeto Mamíferos Marinhos como Plataformas de Monitoramento Ambiental de Pólo a Pólo (Meop), do Programa Antártico Brasileiro, é o elefante marinho, maior foca que existe, cujo macho pode chegar a pesar 4 toneladas. O animal emprestou seu nome à ilha por se reproduzir sempre ali. O objetivo geral da pesquisa é efetuar um mapeamento da população – com a coleta de dados sobre o mergulho e o deslocamento - e a identificação de possíveis contaminações por agentes externos.

A expedição é mais uma ação brasileria no continente, em acordo com o Tratado Antártico, que garante até 2048 a permanência do continente como local dedicado exclusivamente à pesquisa. Lá estão instaladas bases de vários países e linhas de pesquisa de diversos segmentos. Durante a expedição, o pesquisador conviveu exclusivamente com os outros cinco pesquisadores (oceanógrafo, biólogos, veterinários e um alpinista) e os animais da ilha. Focas, pingüins e aves de diversas espécies foram sua companhia. Ele ajudou na coleta de material biológico, que será examinado na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg), do Rio Grande do Sul.

Da primeira fase da expedição – iniciada em 26 de outubro – o veterinário já trouxe uma conclusão: a constatação da contaminação dos animais por metal. As amostras de material dos animais e do ambiente serão analisado para identificar quais os metais encontrados. Esses agentes externos podem interferir na reprodução e taxa de crescimento. A equipe acompanhou as fêmeas prenhas, coletou material, e deve voltar para acompanhar o desmame dos filhotes em janeiro e março. Além disso, 140 filhotes foram marcados e serão acompanhados para o estudo.

O pesquisador explica que, como são animais do topo de cadeia alimentar (se alimentam das demais espécies da cadeia), os mamíferos marinhos funcionam como indicadores do que acontece no ambiente. “Com isso, a pesquisa pode sugerir maior fiscalização da contaminação em uma determinada região, por exemplo”. Animado com a perspectiva dos resultados, Gerson lembra que uma das funções da pesquisa é oferecer subsídios para os governos para políticas de controle ambiental.

Segundo o pesquisador, sua participação na expedição terá uma segunda fase em janeiro, quando serão implantados rastreadores que informarão, via satélite, como se movimentam os mamíferos marinhos da ilha Elefante. “Aí será só com os animais de grande porte, e vamos traçar um perfil do ambiente”, esclarece. As informações serão acessadas pela equipe via internet, o que permitirá a descoberta dos hábitos dos animais.

Aventura – Ferver a neve para lavar a mão foi só uma das estranhezas que 35 dias numa ilha absolutamente gelada (a equipe esperava chegar na fase de degelo, o que não aconteceu) proporcionaram. O pesquisador foi de Salvador a Punta Arenas, no Chile, de onde partiu a expedição de navio até a ilha Elefante. Na ilha, o campo de trabalho – a 2Km do refúgio onde se instalaram – era composto de uma paisagem adornada pela neve.

Outro estranhamento veio dos colegas de expedição do veterinário, nenhum do Nordeste brasileiro, que brincavam com o fato de um baiano estar pesquisando o continente gelado. Por isso, Gerson manda um recado aos colegas da região. “Não ache, pesquisador, que a Antártida está longe, porque se temos a ação das indústrias de forma global, temos que estudar também o cuidado ambiental de forma global”.

O baiano de Vitória da Conquista conta que até xinxim de galinha cozinhou no pólo Sul. Com frango desidratado, mas cozinhou. Levou o azeite de dendê e mostrou aos colegas de equipe que é um baiano legítimo. “De bom, só tinha o dendê”, diverte-se. A receita especial foi uma exceção no cardápio da equipe, inspirada no do Exército, já que a alimentação tinha de ser feita da forma mais prática possível. “Comíamos basicamente pastas e legumes cozidos enlatados, o que fez falta foi um bom pão com ovo”, brinca.

Foram levadas, para 3 meses de expedição, de outubro a janeiro, 145 caixas de 57 Kg cada, com comida, equipamento de rádio e água mineral. Água, aliás, era artigo escasso. “Para lavar as mãos ou qualquer outra coisa tínhamos que ferver gelo”, lembra. Na alimentação, muito queijo, chocolate e suco de caixa também ajudou. As roupas usadas por toda a equipe são cedidas pela marinha e especialmente desenvolvidas para barrar o frio congelante.

Outra curiosidade da estadia na inóspita ilha foi o banheiro. “Tivemos que armar uma barraca longe do refúgio, porque o gelo congelou a tubulação inteira”, conta Gerson. Em janeiro, espera encontrar um ambiente mais úmido, por conta do degelo. Na mala, junto com a experiência de ser o único baiano no Programa Antártico, Gerson trouxe o encantamento com a região gelada. “É uma paisagem fantástica”.

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