Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR
Ouvir Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

SALVADOR

Projeto alerta sobre assédio sofrido por mulheres nas ruas

Itana Silva

Por Itana Silva

23/08/2016 - 23:06 h
Projeto assédio_campo grande
Projeto assédio_campo grande -

Um totem com fones de ouvido, instalado no meio da praça do Campo Grande, com a seguinte frase: "Escute, não silencie". Foi assim que a estudante Larissa Novais apresentou o projeto Tô na rua, mas não sou sua, na tarde desta terça-feira, 23.

O objetivo é evidenciar os casos de assédios sexual e moral sofridos por mulheres nas ruas da capital. A iniciativa fica no local até as 17h de quinta, 25, como uma forma de intervenção pública.

Tudo sobre Salvador em primeira mão!
Entre no canal do WhatsApp.

"Quis trazer para a rua as situações de assédio sofridas por nós, mas de uma forma que as pessoas pudessem ouvir, sem expor a figura feminina. Quero gerar uma reflexão sobre isso, partindo da percepção de que cantada de rua não é elogio, não é algo normal nem aceitável", explica Larissa.

E conseguiu. Até a tarde desta quinta, contabilizado por Larissa, o número de homens que ouviam os dez relatos gravados era maior do que o de mulheres.

"Normalmente, quando percebem o que é, elas preferem não ouvir, por já ser parte do cotidiano. Já eles param, ouvem. A reflexão que provoca neles depois é exatamente aonde queremos chegar", avalia Larissa.

O estudante Victor Portela, 18, foi um dos ouvintes. "É uma experiência que permite sentir o lado das mulheres, nesses casos. Costumo ler muito sobre isso nas redes sociais, mas ouvir aqui, da voz delas próprias, traz uma sensação de proximidade maior", descreve.

O advogado Francesco Edoardo, 27, disse ficar sensibilizado com os relatos, uma vez que, a partir deles, há a aproximação ao que as mulheres sentem quando assediadas.

"São situações que não deveriam acontecer. Ouvindo esses casos, percebo ainda mais a fragilidade do ser mulher em uma sociedade patriarcal. Precisamos tentar combater esse tipo de comportamento, provocando uma conscientização na nossa população", refletiu.

Para a estudante de artes Emanuela Boccia, 23, os relatos são parte do cotidiano. Ela declarou que, apesar de ser algo triste, já não se sente mais surpresa. "O projeto é interessante, principalmente para os homens saberem como determinadas palavras causam estragos na vida de uma mulher. Nós sentimos medo o tempo inteiro, e as pessoas precisam saber disso", afirmou.

Inquietação x percepção

O Tô na rua, mas não sou sua nasceu de um trabalho de conclusão do curso (TCC) de Larissa. "Resolvi unir a inquietação que eu tinha, com os assédios do meu dia a dia, com a percepção de que é necessário ocupar os espaços públicos, que são, basicamente, os locais onde esse tipo de violência acontece", contou a estudante.

A partir desse pensamento, ela passou a procurar vítimas para contarem as próprias histórias. "Criei um fórum no Facebook, na esperança de colher entre 10 a 15 casos. Em uma só noite, recebi 167 relatos", contou.

Os anseios de Larissa não podiam parar no TCC. Ela, então, resolveu reunir outras mulheres para pôr em prática. "Conto com a ajuda essencialmente delas. Seja as que estão por trás da estrutura ou as que gravam os próprios relatos para serem expostos anonimamente. Na equipe só há um homem. Faço questão de que tudo seja feito por nós", pondera.

A estudante ainda pretende levar a iniciativa para lugares como Praça Municipal, Rio Vermelho ou Barra.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Siga nossas redes

Siga nossas redes

Publicações Relacionadas

A tarde play
Projeto assédio_campo grande
Play

Veja o momento que caminhão de lixo despenca em Salvador; motorista morreu

Projeto assédio_campo grande
Play

Traficantes do CV fazem refém e trocam tiros com a PM em Salvador

Projeto assédio_campo grande
Play

Rodoviários reivindicam pagamento de rescisão no Iguatemi

Projeto assédio_campo grande
Play

Vazamento de gás no Canela foi ato de vandalismo, diz Bahiagás

x