Reforma do Mercado Modelo terá investimento superior a R$ 12 mi

As obras no mercado, que não passa por intervenções desde 2004, começam na próxima segunda-feira

Publicado sexta-feira, 18 de março de 2022 às 06:04 h | Atualizado em 17/03/2022, 23:15 | Autor: Gabriela Cruz
Durante a reforma, que será feita por etapas, os permissionários vão atuar em tenda climatizada a ser  instalada atrás do equipamento
Durante a reforma, que será feita por etapas, os permissionários vão atuar em tenda climatizada a ser instalada atrás do equipamento -

Sem reforma desde 2004, o Mercado Modelo, que recebe 80% dos turistas da capital, segundo a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), será requalificado em comemoração aos 473 anos de Salvador. A obra, que inicia nesta segunda-feira, será dividida em três fases, para não interromper as atividades comerciais e prejudicar os trabalhadores do mercado, e tem previsão para ser entregue em abril de 2023.

O projeto foi desenvolvido pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), durante a gestão do ex-prefeito ACM Neto, e desde então tem ocorrido diálogos para alinhar os interesses da prefeitura e da Associação de Permissionários do Mercado Modelo, que terão um equipamento mais acessível e moderno. Hoje, 263 comerciantes atuam no mercado e cerca de 2.000 pessoas obtêm renda no espaço, localizado na Praça Cairu.

Na manhã de ontem, o prefeito Bruno Reis autorizou o início da requalificação e assinou a ordem de serviço, que significa o início das obras no equipamento histórico, integrando o pacote municipal de ações em celebração ao aniversário da capital, no dia 29 deste mês. O Mercado Modelo vai ganhar rampas de acessibilidade, sanitários para pessoas com deficiência e um elevador com capacidade para oito pessoas, proporcionando mais conforto às pessoas com dificuldades de locomoção.

“O Mercado Modelo tem 110 anos de história e essa será a maior intervenção que o equipamento vai receber. São quase R$15 milhões de investimento para um novo mercado, vamos restaurar, preservar toda a sua história e dar um tom de modernidade. Isso vai ajudar ainda mais no conjunto de intervenções que nós estamos fazendo nessa área para reativar a presença no Centro Histórico”, declarou o Reis.

As intervenções incluem a restauração do equipamento, recomposição da cobertura existente e do madeiramento, telhamento com peças de cerâmica e vidro, pavimentação, impermeabilização e imunização do madeiramento, pintura, instalação de vidros e ainda vai revestir algumas áreas com cerâmica esmaltada, porcelanato e granito. O projeto foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

A presidente da Associação de Permissionários do Mercado Modelo, Analu Garrido, conta que houve receios sobre a obra. “Nós passamos dois anos com o fundo do mercado tapumado por causa da interdição da Praça Cairu, em seguida ficamos seis meses fechados durante a primeira onda da pandemia e depois mais 45 dias fechados, mas os benefícios do projeto sobressaíram”, afirma.

O prefeito tranquilizou os permissionários quanto aos prejuízos da obra e afirmou que a requalificação será faseada, para que todos retornem aos seus locais de trabalho à medida que a intervenção for avançando. Durante a realização das intervenções, os permissionários do Mercado Modelo vão atuar em uma tenda climatizada instalada provisoriamente atrás do equipamento.

“O nosso mercado está chorando por uma reforma. Nós estamos com nosso telhado todo degradado, trazendo muitos problemas e perigos não só para os comerciantes, mas também para todos os turistas. A importância do Mercado Modelo para a divulgação da arte e cultura baiana é imensa, nós somos uma porta de entrada para a magia da nossa gente”, conta Analu. De acordo com a presidente da associação, a parte hidráulica e elétrica também necessita urgentemente de reforma.

Mudanças

O subsolo do Mercado Modelo, que se encontra em situação insalubre, devido à falta de circulação de ar e presença constante de água salobra, será transformado para que possa receber exposições culturais, com espaços semi fechados e climatizados.  

No térreo, a rotunda servirá como espaço multiuso com um tablado elevado fixo para servir de palco a apresentações culturais e as mesas dos bares do térreo serão mantidas.

Também haverá espaços de serviço, composto por recepção, local de controle de acesso à área expositiva do subsolo, posto de informações para os visitantes, tanto sobre a própria estrutura, quanto sobre o turismo em Salvador. O andar vai abrigar ainda uma sala de reunião com capacidade para 14 pessoas, salas da Guarda Municipal e da Brigada de Incêndio, além de um depósito de material de limpeza. 

O pavimento superior terá um salão com um pequeno palco para apresentações culturais, balcões de atendimento dos restaurantes que existem no local e mais uma varanda. O local ainda abrigará um reservatório de água potável, áreas para sistema de exaustão e de convergência da tubulação de exaustão dos bares e restaurantes da edificação, encaminhamento para saída pela cobertura e áreas para sistema de climatização. 

A execução das obras será coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), por meio da Superintendência de Obras Públicas (Sucop).

História

O Mercado Modelo surgiu como uma central de cereais que abastecia toda a cidade de Salvador, os saveiros aportavam na chamada Rampa do Mercado e traziam toda a parte de hortifruti do recôncavo baiano. Há 110 anos, os comerciantes migraram para o prédio da primeira alfândega brasileira, cedido pelo Governo Federal, após o incêndio do seu antigo equipamento, onde hoje fica o monumento Mário Cravo.

“Os primeiros mercantis de Salvador surgiram a partir dos comerciantes cerealistas do mercado modelo, que foi mudando e surgiu o artesanato. Ele já foi visitado pela rainha da Inglaterra e pelo Príncipe Philip, Pablo Neruda, Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e a nossa maior cozinheira, Maria de São Pedro, que hoje tem seu restaurante administrado pela sua quarta geração, serviu um banquete para Getúlio Vargas na sua posse”, conta Analu, que exalta também o restaurante Camafeu de Oxossi, que foi personagem freqüente nas obras de Jorge Amado, antigo frequentador do mercado.

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