SEM ACORDO
Reunião termina sem acordo entre prefeitura e agentes de saúde
Servidores cobram da prefeitura o pagamento do piso salarial estabelecido pelo Congresso em maio deste ano

A reunião realizada na Câmara Municipal de Salvador entre o secretário de Gestão da prefeitura de Salvador, Thiago Dantas, o presidente da Câmara, Geraldo Junior, e os agentes de saúde, terminou sem acordo na tarde desta terça-feira, 29.
Os agentes de saúde municipais cobram do prefeito Bruno Reis o pagamento do piso estabelecido em maio deste ano, através da Emenda Constitucional 120, que também garante as gratificações e adicionais a serem pagas pelo Executivo Municipal através do plano de cargos, com percentuais sobre o salário-base.
Representante da Associação dos Agentes de Saúde do Estado da Bahia, Sebastiana Ferreira, questionou a proposta apresentada aos servidores municipais.
"Foi questionado na mesa que o que ele traz de R$ 3.700 acaba com o nosso plano de cargo e vencimento. Ele veio dizer pra gente que não, que não acabava, só que sim. Porque quando a gente pega esse valor de R$ 3.700, nossa gratificação de competência está praticamente sendo zerada, nossa gratificação SUS, nossa gratificação de periferia, até insalubridade. Então assim, o avanço de nível que nós levamos, tem pessoas que são mais antigas, que levaram trinta anos pra chegar aqui", afirmou.
"Nós que avançamos aqui, tem pais e mães de família que estão hoje com 60 anos de idade, que vão levar quase 30 a 40 anos pra chegar num nível que está hoje. Isso tira toda a possibilidade da gente levar essas gratificações pra nossa aposentadoria. Isso é ferrar com a vida de todos os agentes de saúde, os agentes de combate das endemias e agentes comunitários de saúde", disse Sebastiana.
Ela disse que preferiu sair da reunião para evitar ter um mal estar. "Essa proposta é totalmente indecente, por isso que eu não consegui ficar até o final, porque eu não tenho estômago pra isso. Seria injusto com todas aquelas pessoas que passaram por esse acampamento, eu continuar naquela mesa, por isso me retirei, porque se eu ficasse, eu iria sair num caixão. Eu ia enfartar", finalizou Sebastiana.
Vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), disse que tem pressionado a prefeitura para encontrar uma solução que garanta os direitos constitucionais dos trabalhadores.
"Estamos lutando pra garantir o direito dessas famílias. São 77 dias de acampamento. Temos pressionado o executivo municipal a encontrar uma saída. Eu espero que as conversas de hoje possam avançar no sentido de que seja viabilizado um texto que garanta o cumprimento desse direito que tá previsto na constituição que é o piso salarial dos agentes comunitários de saúde de combate às endemias", ressaltou o edil.
"O secretário Thiago Dantas vai preparar e formalizar tudo direitinho o que foi discutido. E vai mandar para os agentes, as lideranças e ai nós vamos encaminhar para os colegas pra eles entenderem o que foi que aconteceu e amanhã teremos uma assembleia aqui provavelmente às oito da manhã. Não havendo nada diferente do que foi discutido ai a assembleia, a categoria decidirá o nosso rumo, entendeu? Ser aceita a proposta ou se não", disse o coordenador jurídico do Sindicato dos Servidores da Prefeitura do Salvador (Sindseps), Nildo Pereira.
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