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Salvador é a 2ª cidade e a 1ª capital mais feminina do país

Segundo novos dados divulgados pelo IBGE, estado e capital envelhecem de forma acelerada

Publicado sábado, 28 de outubro de 2023 às 06:50 h | Autor: Maurício Viana*
Creusa Pereira, 100 anos, voltou para Salvador onde nasceu para ficar com a família
Creusa Pereira, 100 anos, voltou para Salvador onde nasceu para ficar com a família -

De acordo com os dados do Censo 2022, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Salvador se tornou a capital e o segundo maior município na proporção de mulheres por número de habitantes, após configurar no 12º lugar em 2010. Atrás da cidade de Santos, que tem 54,7% de mulheres na população, na costa do Estado de São Paulo, 54,4% da população soteropolitana é composta por mulheres.

A tendência segue para o estado, onde as mulheres representam 51,7% no Censo 2022. Em 2010, eram 50,9%. Com um aumento de 2,3% no número de mulheres e uma diminuição de 0,6% no de homens, o público feminino foi responsável pelo pequeno crescimento demográfico registrado. Na Bahia e em Salvador, aumentou o ritmo do envelhecimento, principalmente entre 2010 e 2022, com destaque para os centenários.

A supervisora do IBGE, Mariana Viveiros, comenta que o destaque também pode ser percebido na influência do crescimento da Bahia, que saiu do 12º para o 9º estado. “A ‘feminização’ está muito relacionada ao envelhecimento porque as mulheres morrem menos do que os homens em todas as faixas etárias, principalmente nas mais jovens. Quando você tem um envelhecimento, ele tende a ser mais feminino. Além disso, tem o fator de migração porque ela tem uma predominância de jovens adultos homens”, afirma Mariana.

O cenário na Bahia, segundo o Censo 2022, mostra que seis em cada dez municípios baianos têm mais mulheres do que homens frente à realidade de 2010, quando eram quatro em cada dez. O geriatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria, Leonardo Oliva, explica que, em todo o mundo, as mulheres vivem mais que os homens.  “Isso se dá por fatores genéticos que protegem as mulheres, com hormônios contra doenças cardiovasculares e do cérebro, e por se preocuparem mais com a saúde. De maneira geral, a mulher é apresentada ao médico aos 14 anos e passa a ter alguém acompanhando a sua saúde. Já o homem não gosta de tomar remédio, fazer exame e procurar o médico. Outra questão é que a maior parte de mortes violentas são em homens”, pontua. 

Esse é o caso da aposentada Sônia Calado, 72 anos, viúva e mãe de dois filhos. “Eu vivo a vida tranquilo. Adoro passear, andar de ônibus e comer. Não tenho problema de saúde, graças a Deus. Tenho os cuidados de evitar gordura e fritura. Gosto muito de frutas e verduras. Faço o check-up certinho e vou ao psicólogo depois que meu marido morreu. Ele era muito calado. Se sentisse uma dor, só falava dois ou três dias depois.” 

No entanto, o médico lembra que essa longevidade tem acontecido em ambos os grupos nos últimos anos no Brasil. No estado, a população de 40 anos foi a única a crescer, resultando um índice de envelhecimento de 86,1%, com 53 idosos com mais de 65 anos para cada 100 crianças até 14 anos. Salvador foi a capital com o segundo maior aumento, chegando a ter 66 idosos por cada 100 crianças. Dentre as causas, para ele, estão as melhorias dos serviços de saúde e a evolução da medicina, o controle de doenças que antes causavam uma maior mortalidade. “Quando conseguimos disseminar isso na população, fazemos com que envelheça mais e melhor, levando a inversão da pirâmide etária, que antes era maior para os jovens e, agora, quase um cilindro”.

Outro dado é a Bahia como o estado com o maior número de centenários do país de forma isolada, com 5.336 pessoas com 100 anos ou mais, e divide com o Maranhão o maior número em proporção, com 0,04% da população. Existe ao menos uma pessoa centenária em 412 dos 417 municípios baianos. As mulheres continuam predominantes neste grupo, com uma média de sete em cada dez na Bahia. A supervisora do IBGE pontua que esse dado mostra a questão de longevidade, inclusive com aumento no número absoluto de 2.800, em 2000, para 3.300, em 2010, e para 5.336 em 2022. “As pessoas estão vivendo mais e com melhores condições, de saneamento, educação, sistema de saúde, medicamentos e prevenção a riscos diversos.”

Morando com sua avó, Creusa Pereira, a gerente comercial Roberta Cardoso conta que, após nascer no Pelourinho e se mudar para São Paulo, a centenária retornou para a casa das filhas e das netas. “Salvador é uma cidade acolhedora para o idoso pela temperatura, pela qualidade de vida”, conta. Ainda segundo o geriatra, “passamos a lidar com os riscos de desenvolver doenças da idade e relacionadas a países pobres, como violência e falta de saneamento básico ou água potável”.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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