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Salvador já registra 104 assassinatos somente em janeiro

Publicado quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 às 23:25 h | Atualizado em 15/01/2009, 23:25 | Autor: Helga Cirino, do A TARDE
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A violência em Salvador e região metropolitana atingiu a marca de 104 homicídios nos 15 primeiros dias do ano –  sete mortos por dia, média superior à do ano passado (seis mortos por dia). O dado foi obtido por A TARDE, que vem monitorando, dia a dia, os assassinatos na capital baiana e cidades próximas.

A média de assassinatos em janeiro deste ano já supera em dois casos as ocorrências no primeiro mês do ano passado, quando em 31 dias foram registrados 169 crimes, aproximadamente cinco mortos por dia.

O número de homicídios no início de 2009 dá sequência a uma escalada de mortes violentas observada nos anos anteriores. Segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram 2.189 homicídios registrados em 2008 na Grande Salvador – contra 1.665 casos em 2007 e 1.223 em 2006 –, alta de 31,4% em relação a 2007 e de 78,9% em relação a 2006.

Seis mortos – Entre a manhã de quarta-feira e a madrugada de quinta, dia 15, seis pessoas foram assassinadas. Entre elas, dois adolescentes, um deles de 14 anos. Marcos Honorato Lima foi executado a tiros, de acordo com registro da Central de Telecomunicações da Polícia (Centel). Socorrido em um hospital, ele não resistiu aos ferimentos.

O outro foi um garoto aparentando ter cerca de 16 anos, achado morto a tiros no subúrbio ferroviário de Plataforma. A SSP ainda catalogou as mortes de Ricardo Luís Pereira da Silva, 42, no município de Simões Filho (Grande Salvador); Michael Jackson Lacerda, 20, no bairro de São Caetano, mesma localidade onde outro homem ainda não identificado pela polícia foi encontrado morto pouco depois do meio-dia de ontem; e Jeovane Ferreira dos Santos, 20, assassinado na Av. Vasco da Gama.

Especialistas –  Segundo Tânia Cordeiro, gestora do Fórum Comunitário de Combate à Violência (FCCV), os assassinatos são, “em geral, de pessoas com baixa escolaridade, moradoras de bairros pobres, desempregadas e negras”.

Coordenador do Centro de Defesa dos Direitos da Crianças e do Adolescentes Yves de Roussan (Cedeca), Waldemar Oliveira apontou possíveis saídas para o problema e criticou o secretário da Segurança, César Nunes, por conta de declarações a A TARDE, dia 7, quando afirmou que iria “partir para cima dos bandidos”.

Para Oliveira, “a solução não é partir para cima, como disse o secretário. Quantos desses jovens mortos, muitas vezes fuzilados pela polícia, não poderiam ser presos e recuperados? Se conseguíssemos salvar um jovem que fosse, já valeria a pena”. Ele disse temer que a fala de Nunes “legitime a má conduta de alguns policiais” e cobrou do governo medidas efetivas com “o intuito de qualificar a polícia investigativa”.

Segundo o advogado, “os policiais civis até se empenham em apurar os responsáveis pelos crimes, mas falta estrutura”.

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