Sem Festival da Virada, calendário de festas populares segue em clima de incertezas

Publicado domingo, 05 de dezembro de 2021 às 10:52 h | Atualizado em 05/12/2021, 10:55 | Autor: Priscila Dórea

Enquanto shows públicos menores, como os do Centro Histórico, voltam a acontecer em Salvador, as grandes festas – a exemplo do Festival da Virada, no período do Réveillon – já estão sendo canceladas.

A variante ômicron chega como um alerta de que a pandemia do novo coronavírus ainda não acabou, colocando em risco também os festejos de largo, lavagens e o próprio Carnaval. O período de festas começou na Bahia, mas os festeiros de plantão – locais e turistas – deverão ter que rever planos.

"Acreditamos que o cancelamento do Festival da Virada não vai impedir que o fluxo de turistas cresça na cidade, uma vez que oferecemos uma grande variedade de opções, com os segmentos de sol e praia, cultural, histórico, gastronômico, esportivo, religioso e náutico. Prova disso é que a ocupação hoteleira na capital já tem registrado, em feriados prolongados, índices semelhantes aos de antes da Covid", diz Maurício Bacelar, titular da Secretaria Estadual do Turismo (Setur).

Para o médico e farmacêutico Ruan Alcântara, que é apaixonado pelas festas de rua de Salvador, é "prudente" que o festival tenha sido cancelado e o mesmo deveria ser feito com o Carnaval.

"Penso que muitas vezes uma medida dessa ordem parte de um lugar de incertezas dos governantes. O que é natural. Estávamos caminhando para uma certa estabilidade do número de casos, mas agora já não conseguimos prever o que irá acontecer. Uma festa como o Carnaval, por exemplo, que recebe pessoas de todo o mundo, certamente será um celeiro de variantes", avalia o profissional de saúde.

Saudade das festas

Alcântara explica que nunca imaginou um mundo sem festas, nem o tamanho da saudade que sentiria delas em isolamento.

"O que de fato sinto, como a maioria dos meus amigos sentem, é uma vontade enorme de que tudo isso acabe logo. As festas de rua definem a forma como nossa cidade se diverte. Não tê-las é bastante difícil. Sem contar que elas representam a fonte de renda de muita gente. A verdade é que não há lado bom nisso tudo", desabafa Ruan Alcântara.

O único caminho a seguir, reitera o médico, é respeitar os limites estabelecidos pelos decretos e seguir os protocolos de segurança. "Não gosto de definir uma festa do tipo paredão como a aglomeração que deve ser proibida, pois seria hipocrisia. Afinal, outras tantas festas, fechadas, promovem tanta aglomeração quanto. Então, o meu conselho é para todos: respeitarem os protocolos de segurança e terem paciência. Aos poucos uma vida próxima do normal vai tomando forma, um novo normal que ainda é desconhecido", pondera.

E, para chegar a esse novo normal, temos que aprender a viver com a pandemia, afirma Silvio Pessoa, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte (SHRBS). "A economia não aguenta muito mais e os gestores precisam encontrar formas para gerir melhor a situação. Fizemos nossa parte, seguindo todas as recomendações. Porém, há muita política envolvida, ainda mais com eleição ano que vem. Os gestores vão empurrando com a barriga as decisões sobre esses grandes eventos e quem acaba sofrendo é a gente", afirma o gestor.

Mas apesar de sabermos o problema que o cancelamento dessas festas, em especial o Carnaval, pode causar nas contas de muita gente, aponta o estudante de direito prestes a se formar e cantor, Biel Ribeiro (@obielcantor), é sempre bom lembrar que há uma grande contrapartida nesse assunto. "O Carnaval traz turistas, estrangeiros e olha o problema que isso pode gerar a curto e médio prazos. Se as viroses gripais são comuns nessa época, imagine a grande manifestação da Covid que pode acontecer".

Junho

Festeiro nato, Ribeiro conta que até gosta das festas de final de ano e a folia do Carnaval, que acompanha com os amigos, mas que a maior saudade dele é das festas juninas. "Mas a verdade é que todas elas estão fazendo muita falta e deixando aquele gostinho de: poxa, quando é que vamos nos reencontrar desse jeito?. O que está conseguindo matar essa minha saudade é que, pelo menos, estou me apresentando e recebendo o carinho do público".

Para o nutricionista Jonata Batista Rodrigues, as festas abertas são mais complicadas de serem executadas de uma forma que garanta o mínimo de segurança para as pessoas. "Me sinto menos exposto, ainda que não totalmente seguro, em ambientes onde é possível controlar o número de pessoas e a comprovação da vacinação é obrigatória para ter acesso. Acho que se a gente segurar um pouco mais a ansiedade, avançar em vacinação e aguardar novos desdobramentos sobre a ômicron, podemos, talvez, ter de volta as festas regionais", reflete.

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