SALVADOR
Superdotados: Faltam escolas especializadas na Bahia
Na Bahia não há uma escola que atenda exclusivamente aos superdotados e pessoas com altas habilidades. A ONG internacional Mensa - sociedade formada por pessoas com Coeficiente de Inteligência (Q.I) acima de 158 - atua há sete anos no Estado, mapeando e desenvolvendo atividades com os superdotados para complementar o ensino. A idéia é fazer uma complementação curricular para que o aluno possa desenvolver atividades em sua área de interesse no turno oposto ao da escola regular. Atualmente, o grupo conta com cerca de 100 membros em Salvador e 600 no Brasil.
A Fundação Cidadania e Iniciativa Popular e a Mensa pretendem expandir o mapeamento dos estudantes superdotados para as instituições públicas de ensino, mas dispõem de poucos voluntários para executar a tarefa. "Além da equipe pequena para viabilizar o projeto, enfrentamos muitas críticas contra o método de avaliação do Q.I, considerado falho por alguns pesquisadores. Mas a crítica não tem fundamento, pois ainda não definimos a metodologia de identificação dos alunos superdotados, que vai depender do tipo de profissionais que teremos na equipe", explica o membro da Fundação Cidadania e coordenador de expansão da Mensa, Waldir Santos.
Inteligência e Criminalidade: A preocupação das instituições em mapear os alunos superdotados nas escolas públicas foi motivada por diversas pesquisas que revelam a tendência de jovens muito inteligentes da periferia - que não dispõem de oportunidades para desenvolver seus talentos - optarem pela criminalidade para se livrarem da miséria.
"Marcola e Fernandinho Beira Mar são alguns dos criminosos conhecidos por serem dotados de um alto nível de inteligência, que poderia ter sido desenvolvida com outras finalidades. É necessário aproveitar o potencial destas pessoas para evitar que elas se desvirtuem para o mundo do crime", comenta Dartilene Andrade, coordenadora do núcleo de Altas Habilidades da Escola Parque.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, os superdotados representam cerca de 3 a 5% da população de cada país. "Há muitas pessoas por aí que são superdotadas e que nem desconfiam disto. Nem sempre os pais e a escola desenvolvem as habilidades destes jovens, que podem se sentir incompreendidos pelos demais. Tenho cinco pacientes superdotados que sofrem de ansiedade e depressão e são viciados em drogas devido a falta de uma atenção especializada às suas habilidades", alerta o psiquiatra Daniel Minahim, que aposta na necessidade de um tratamento diferenciado para os alunos superdotados.
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